domingo, 31 de agosto de 2014

Deixá-los estar

Até agora, em 270 minutos, o wonderteam de Alvalade marcou dois (2)  golos de bola corrida  ( o outro foi uma oferta do nosso Amélia).

O que nos espera

1) Marlene no arame. Se a coisa cair mal, a culpa é da João.
2) Claro, claro, só como consultora. Com os outros é informação livre, com gente  fina e coordenadora  da campanha de Costa é campanha negra.

Teoria geral da canalhice

As manifestações de solidariedade com o sofrimento yazidi e de apoio ao direito dos yazidis de terem o seu país sem  serem  esmagados por um vizinho poderoso:  em  Paris, Londres, Madrid, Lisboa, Patopólis etc.

Golo do Camus


Nem de propósito. Umas das minhas  leituras  deste óptimo e fresco Agosto que está a  acabar  foi de um dos meus heróis. Exceptuando alguns  escritos  argelinos e algumas entrevistas,  só tinha lido os  romances. Ataquei  agora  as Reflexões sobre  a Guilhotina e  a Cartas a um Amigo Alemão, Ed. Folio,  ( ambos fabulosos) . Camus adorava futebol.
O futebol, como a religião, é inimigo das bestas pomposas e alucinadas que nos pretendem orientar. Não é por acaso que usam a corruptela, substituindo a religião pela bola, de Marx ( que nem é exacta, será mais no sentido de  alívio): o futebol é o ópio do povo. O futebol é uma das  manifestações primitivas, anteriores à pulsão jacobina que pretende construir de raiz cada porta, cada rua, cada aldeia, cada sociedade: são  selvagens no coração, civilizadas na forma. Pode ser igualmente brutal e manipulativo, mas não é artificioso.
Hoje esqueço o pó ao Zé Broncas e ao Luís dos Pneus e celebrarei cada golo  como se de um filho  se tratasse. Por acaso quando um deles nasceu estava a ver o Benfica x Lokomotiv, com o Ovchinikov à baliza dos russos, e só interrompi para saber se estava tudo bem.

sábado, 30 de agosto de 2014

Por que razão Costa quer debates curtíssimos?

1) Temos de  mudar de paradigma.
2) Tenho uma agenda para a próxima década.
3) Há alternativas à austeridade.
4) Impostos e divída não são assunto.

Nem dois minutos...

Fazer contas

Ao que fica e ao que vai. No Depressão Colectiva.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Da série "O som e a fúria"


"Some commanders of ships take their departure from the home coast sadly, in a spirit of grief and discontent. They have a wife, children perhaps, some affection at any rate, or perhaps only some pet vice, that must be left behind for a year or more. I remember only one man who walked his deck with a springy step, and gave the first course of the passage in an elated voice. But he, as I learned afterwards, was leaving nothing behind him, except a welter of debts and threats of legal proceedings."  

Joseph Conrad, The Mirror of the Sea, 1919

Para o terraço

Clarinho

O concreto é uma maçada. Devia ser proibido.
Aliás, concretamente,   a autora é coerente no tempo e no modo ( basta consultar o arquivo ou ter memória).

Pois

Divulgar isto devia ser proibido, só assim seria informação livre.

Mais clube do Bolinha

Ora vamos lá  ver  os habituais assobios para o ar nos cruzados anti-socialistas.

Palavra de honra?

 O canibalismo legalizado?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O Grande Salto em Frente

Cada vez melhor.
Qualquer dia começa ( se não começou já...)  com campanhas de reeducação. De sportinguismo.

Só lendo para acreditar

"Hoje, esta TSF já não existe em grande parte. Está cheia de programas, patrocínios e anúncios institucionais e em muitas matérias segue uma linha editorial muito próxima do governo e da ideologia do “ajustamento” do que qualquer canal noticioso televisivo, seja a SICN, seja a TVI24".

O parágrafo  é confuso ( gralha ou pressa...) mas deduzo que a informação rigorosa e livre será, hoje, para  JPP, qualquer uma próxima  da veiculada pelo Câmara Corporativa (onde JPP deixou de ser o aldrabão  da Marmeleira para passar a iskra).
As voltas que a vida dá.

Os clubes do Bolinha

É da natureza da desgraça.
 Quando os casos são com a padralhada a enfiar-se debaixo dos cobertores com os miúdos, os blogues anti-ICAR têm  orgasmos e os outros calam-se ou rosnam sobre conspirações  dos comunistas e dos judeus; no caso de Rothterham são os bloggers unineuronais que salivam sem babete com as deficiências públicas do multiculturalimo enquanto os outros assobiam para o ar.
Tudo no superior interesse das crianças, claro.

Recordar é viver

Agora que se aproxima o tempo da  comissão de inquérito.

Divórcios

Um caso: no Depressão Colectiva.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Boa pergunta

"E vai continuar a chamar-se Praça do Império??? Não entendo estes imbecis a quem, infelizmente, estamos entregues".

aqui.

Vem aí

O SAD. No Depressão Colectiva

Até choro

Com a indignação  que por aí vai, "nas redes sociais",  com a sorte desta gente ( mulheres, crianças  e velhos).

Restaurador Olex

Este anjo louro publicou  um livro com descrição pormenorizada de agressões a policias e roubos.  O Expresso deu-lhe  honra de capa ( na revista) com o título "tem qualquer coisa de pop star". O meio deste anjo louro é o de outros da sua igualha: um caldo de respeito pela propriedade  privada e  pelas autoridades ( para não falar na segurança dos frequentadores.  A proporção entre  as centenas ( sim, também há disto nos juvenis...) de ocorrências   e a acção do braço do Estado é enternecedora ( nesta , dois  detidos...).
 Ao longo dos anos, a malta adepta de meter os pretos na  ordem, do combate  à condescendência com os pretos e da firme acção do Estado, tem dormido bem. É natural.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Outra vez a lei

O relatório denuncia ainda que «muitos dos funcionários demonstraram nervosismo ao identificar a origem étnica dos culpados, com receio de serem tomados como racistas, enquanto outros disseram que as suas chefias lhes deram ordens para que não o fizessem».

Deve ser muito difícil aplicar a lei independentemente  da raça ou forma do prepúcio. Aos racistas juntam-se agora velhos conhecidos  e a sua lalangue do aos nossos hóspedes tudo deve ser permitido.

Traços ( 12)


António é clássico, despreza a urgência e a moda.
Agora  está encarcerado, salvo pelo airbag, vai ter um rim novo e já chamou a ambulância pelo smartphone.
Num par de semanas está antigo outra vez.

Causa e consequência

O senhor  professor doutor Carvalho da Silva está na SIC-N a dizer ( a responder à entrevistadora) que o Estado gasta mais do que consome por causa da dívida, do serviço da dívida e das PPP. Ou seja, tudo começou depois  de  2011.
Estas charlatanices podem ser marteladas à exaustão, mas não adianta, os portugueses não são idiotas.

Sporting Clube Novelaço

Depois de Sinhá Moça, a Vila Faia.

Da série "O som e a fúria"

Aqui sobre estas águas eu suspensa deixo
a vida até qualquer outro verão
onde outra vez procure em vão 
o que ora procurei
Eu canto a margem terra empedernida
que exagera e se mostra enfim tão indecisa
quanto antes entre terra e água e o
vento devorador das nocturnas raparigas

Ruy Belo, "Enganos e desencontros"


Só isso?


-Pai, o que é que está aqui escrito?
-Rua D. Afonso Henriques.
-Quem é o dõafonsenriques?
-Não é, foi. Foi o primeiro rei de Portugal.
-E já morreu?
-Já. Há muito tempo.
-Então porque é que lhe deram esta rua?
-Porque fundou Portugal.
-Só isso?!
-...Hããã...

Tem toda a razão.

Agora sim, já não há mais justificações. Não pela cómica razão ( se assim fosse nenhum governo durava mais do que seis meses), mas porque  se fechou um ciclo.
Estes três anos valeram por trinta, por muito menos e em muitos  outros tempos e lugares  houve eleições antecipadas.
É tempo de limpar  esta crosta  permanente de suspeição sobre a legitimidade executiva e obrigar os civilis princeps a avançar ( inclui as mariposas do Caldas).

domingo, 24 de agosto de 2014

A "treta do racismo"

Só argumentando conta a História e a realidade podemos  fingir que a sociedade portuguesa não é racista. Sim, a sociedade, declinada nos seus vários tons.

1) Sobre o  período até  1974, qualquer pessoa capaz de ler  letras que formam palavras compreende  isto.  Basta ter curiosidade sobre a maneira como foi organizada a nossa presença africana. Ofereço  mil euros por cada chefe de polícia, juiz ou  director hospitalar preto que encontrarem. Dou um bónus se lerem Henrique Galvão, ex-inspector colonial
Recordo-me de um episódio divertido ocorrido em 1993. Estava eu na tropa e era oficial  de dia quando um major me convidou para beber uns copos na messe.  No quartel ficaram  alojados  uns militares de Moçambique a fazer uma  formação qualquer. O major começou por elogiar a nossa colonização, falou  da igualdade entre raças, negou a treta do racismo. No final da noite e muitos copos depois já rosnava com os cabrões dos macacos que agora tinham a mania que eram gente.

 2) Depois de 74 é ainda  mais simples. Quando dava aulas de psicologia social costumava perguntar aos meus alunos  se pensavam  que uma sociedade pode mudar  de repente. Se pensavam que um povo geralmente  atrasado e pobre  passaria a ver os ainda mais pobres e atrasados com respeito ou se, pelo contrário, continuaria a imaginar-se superior.
A guetização dos negros  naturalizou e civilizou o racismo. A tolerância formal passou a ser regra. Basta, no entanto, uma pequena faúlha. A menina do papá que sai com um preto, o jogador adversário que é bom de bola, o médico que nos atende nas urgências, um sarilho num centro comercial  etc.
Num país com um passado de séculos de "colonização exemplar", é curioso que em pleno século XXI  não seja comum dar de caras com um juiz negro, um árbitro de futebol negro,   um chefe da polícia negro, um apresentador de telejornal negro.
Já para meter golos ou correr nas pistas,  basta virar um calhau.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Secularmente imbecil

"Estado secular" ao pé do Hamas, hã? E é  este indíviduo a sumidade intelectual  venerada.
Bem, num país que  barra a entrada as pretos em centros comerciais porque horas antes houve  pretos  a fazer asneiras,  suponho que combina.

Uma nova forma de fazer política

Sem questínculas nem porteirices

Lisboa, Mississipi

Uns pretos  fizeram um tumulto no Vasco da gama. Veio a polícia, resolveu o assunto  e ficou a guardar. Passado um bocado  vemos  um família de pretos e uma de brancos a querer entrar no centro comercial. Os brancos entram, os pretos não.
Passaram 24 horas e os polícias não foram suspensos, o chefe deles  não foi suspenso, o ministro não se demitiu.
Deve ser este o novo país liberal dos novos jornais e bloggers.

Traços ( 11)


Os mercados são muito sensíveis.
Mal lhes tocamos, desfazem-se.

Traços ( 10)

Temos o futuro à nossa frente.
E lá mais adiante, o passado.


quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Diário de um cínico

Perante o terror que o Estado Islâmico tem semeado no Iraque e na Síria, a Administração Obama está já a preparar a opinião pública nacional e internacional para uma intervenção armada. Mais vale tarde que nunca. Se há hoje cenário em que se justifica o uso da força pelo Ocidente, é este.
Bastou, para isso, a morte violenta de um cidadão americano. Depois de centenas de milhares de mortos e deslocados entre as populações locais. Depois da linha vermelha que o regime de Assad, o grande beneficiado de um possível ataque aos jihadistas, desrespeitou. Depois da retirada dos soldados americanos do Iraque. Depois de Washington, por acção e omissão, ter deixado criar um vazio de poder que o EI ocupou.
Espero que Obama tenha aprendido com os erros de Bush. Mas espero que também aprenda com os próprios erros.  

Da série "O som e a fúria"

Conhecesse eu as ruas tão bem como a vida
recebesse no rosto o bafo azul do nevoeiro
e as amplas janelas que de par em par
deixam entrar em casa imenso o mar

Ruy Belo, "Enganos e desencontros"

Patricks, Emersons, Melgarejos, Luis Filipes etc


E este puto, internacional em todos os escalões jovens, campeão nacional de Juniores pelo seu clube de sempre, que jogou pela equipa B  na semana  em que perdeu a mãe, é despachado para o Valência que o aproveita e agradece.
Nunca conseguiremos  pagar a Jorge Jesus o que lhe devemos.

Crónicas do Planeta Oval: Começou o Quatro Nações

É uma das últimas oportunidades para vermos os big boys do hemisfério sul em acção, antes do Mundial de 2015 em Inglaterra. O Rugby Championship, torneio anual entre a Nova Zelândia, a Austrália, a África do Sul e a Argentina, começou no sábado. Embora seja uma cópia receente do tradicional Seis Nações europeu, chama-se Rugby Championship porque a malta do Novo Mundo acha que o rugby a sério só se joga abaixo do equador - o resto é um sucedâneo.  Têm alguma razão. À excepção de 2003, ganho pelos bifes, todos os Mundiais foram ganhos por All Blacks, Wallabies e Springboks. Compreende-se, portanto, que o mundo da oval tenha os olhos postos down under. E já houve uma surpresa: a Austrália impôs um empate à Nova Zelândia em Sidney, interrompendo a série de dezassete vitórias consecutivas dos visitantes.
Ainda é cedo para tirar grandes conclusões, mas mais surpreendente que o empate a 12 pontos é que os All Blacks só tenham conseguido marcar pela bota de Aaron Cruden (quatro penalidades convertidas, tal como o seu adversário directo Kurtley Beale). A chuva diluviana que se abateu sobre os antípodas pode explicar o magro resultado e a dificuldade em jogar à mão, curiosamente a exemplo do que aconteceu também em Pretória, onde a África do Sul venceu a Argentina graças a muito trabalhinho dos avançados e a um belo ensaio de Pienaar, o médio de formação do Ulster, logo no primeiro minuto.
Pode explicar, sim. Mas talvez seja mais do que isso: talvez seja o ocaso da geração dourada que ergueu a Taça William Webb Ellis em 2011. McCaw e Kaino já viram melhores dias e Kieran Read não pode fazer tudo sozinho. É nos três-quartos, porém, que surgem as maiores dúvidas. Se olharmos para a Nova Zelândia dos últimos anos, há quatro titulares indiscutíveis atrás da mêlée: Dan Carter a 10, Ma´a Nonu a 12, Conrad Smith a 13 e Israel Dagg a 15. É esta a coluna vertebral das linhas atrasadas. Embora Aaron Smith pareça ser agora o dono da camisola 9, o médio de formação tem mudado sem efeitos visíveis. O mesmo se pode dizer dos pontas, apesar da notória preferência do mister Steve Hansen por Cory Jane e Julian Savea. Mas o fio de Ariadne que vai do médio de abertura ao arrière, passando pelos dois centros, é mais frágil. Ora, no sábado passado, dos quatro magníficos só Ma´a Nonu estava em campo, e numa posição diferente da habitual.
A importância de Carter salta à vista. É o melhor abertura da actualidade, para não dizer de sempre. Tão simples quanto isto. Mas está lesionado, uma constante nos últimos tempos, e a idade torna cada vez mais duvidoso que chegue inteiro a 2015. Infelizmente (sobretudo para quatro milhões de neozelandeseses), não há suplente à altura. Daí que Hansen tenha optado por iniciar o último jogo com Aaron Cruden, o suspeito do costume e senhor de um muito fiável jogo ao pé, substituindo-o na segunda parte pelo mais dinâmico e menos rodado Beauden Barret. Solução dois-em-um, mas longe de ideal. Quer-me parecer que a equipa começa a ressentir-se do tremelique.
Tanto mais que também há problemas no meio-campo. Se Carter é o melhor abertura da actualidade, Ma`a Nonu e Conrad Smith são o melhor par de centros da actualidade. Não apenas pelo valor de cada um, mas porque se completam às mil maravilhas. Ao contrário de O`Driscoll e Fofana, claramente acima de quem têm ao lado, a dupla kiwi potencia-se em conjunto. Ma´a Nonu abre espaços, Conrad Smith aproveita-os. O 12 é o músculo, o 13 é o cérebro. A ameça de Nonu obriga os três-quartos do outro lado a jogar mais perto e a desproteger terrenos que Smith explora com inteligência, surgindo onde ninguém o espera para maracar ensaio ou manter a bola viva. É um segundo-centro que não brilha pela velocidade ou pelo poder físico, mas por estar sempre no sítio certo. Sem ele, a notável capacidade de perfuração do primeiro-centro deixa de ser tão notável. Foi o que sucedeu no sábado. Por outras palavras, o discreto Conrad Smith tornou-se quase tão importante para os campeões do mundo como o estelar Dan Carter. Felizmente (sobretudo para quatro milhões de neozelandeses), está de boa saúde. A razão pela qual não jogou contra a Austrália foi o nascimento do primeiro filho. Um gajo que troca a glória dos All Blacks pela sala de espera de uma maternidade bem merece uma estátua, mas, se houvesse justiça no mundo (o que inclui Sidney, I presume), os cangurus podiam levantar outra à criança...
Já a falta de Israel Dagg, no banco pela primeira vez em três anos, foi menos sentida porque a alternativa é excelente: Ben Smith. Com 15 ensaios em 31 internacionalizações, e podendo fazer todos os lugares entre o 11 e o 15, tarda, porém, a fixar-se na equipa. O seu estilo elegante assemelha-se ao do homónimo Conrad, de quem será, quanto a mim, um herdeiro natural. No sábado, Hansen deu-lhe a camisola 15, ou por achar que ele prefere jogar lá trás (verdadeiro), ou por achar que é mais fácil substituir Conrad Smith do que Israel Dagg (falso). Sem nenhuma vantagem, como se viu.
Mas tenhamos calma. Pode ter sido um dia mau. Afinal, antes da última derrota - com a Inglaterra, em Dezembro de 2012 -, os  kiwis vinham de outro ciclo de vinte vitórias. Perderam e depois voltaram a ganhar dezassete jogos seguidos. Talvez McCaw volte a ser McCaw. Talvez Carter recupere a tempo. Talvez Conrad Smith não troque tão cedo os campos de rugby pelas salas de espera.  
Talvez.

Sim, sim, vai tudo correr bem: como sempre

"O Livre decidiu, antes do mais,  apresentar-se aos seus congéneres políticos. Reunimos com o PCP e o Fórum Manifesto. Está previsto um encontro com o PAN e em Setembro vamos pedir reuniões com o BE e o PS e vamos também falar com a Renovação Comunista e outros grupos de esquerda e da ecologia. Do encontro com o PCP saiu a preocupação comum em reforçar a oposição à austeridade e a este Governo".

Estribeiras

O Filipe Guerra, que com a Nina Guerra  nos oferece maravilhas de tradução, perdeu as estribeiras com  o Miguel Esteves Cardoso.
Por causa da Nina ( tudo é possível) ? Não, por causa de Israel.

Traços (9)


O padre Pelegati de Figarolo, que  dava a missa de manhã e matava à tarde, acabou  fechado numa  gaiola de ferro, às portas de Ferrara, a 12 de Agosto de 1495.
É assim que toda  a culpa deve nascer:  com hora e local exactos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Traços (8)


Há irritação com os que pedem na rua.
Como se eles nos roubassem.
Como se eles existissem.

À mulher de César

Basta ser.

Os outros, os maus...

Ou seja,  o fundo que permitiu a contratação do Rojo é afinal um bando de mafiosos. 
Bem, no caso Dier era o pai do jogador que era um bandido, no caso Slimani a culpa vai recair sobre a FLN.
Já lá comentei que estou 100% com Bruno de Carvalho, porque os grandes clubes  portugueses  têm de aspirar a mais do que o triste estatuto de barrigas de aluguer.  Só que isso não significa que se ganhe alguma coisa com diabolizações infantis.

A propaganda afina-se, os jornalistas portugueses mofinam-se.

Já muitos chamaram a  atenção para esta extraordinária notícia. Como se fossse possível  um muçulmano casar-se com uma judia em Gaza e tarados sionistas  irem lá manifestar-se. A ideia era apresentar Gaza como a nova casa de J. Lennon & Yoko Ono. 
Pois, uma chatice. Casamentos destes só podem acontecer em Israel ( Rishon Letzion), liberdade de expressão idem, garantia que essa expressão não impede direitos idem aspas.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Ferguson, EUA

To make matters worse, blacks face additional challenges at home and in the streets. There is a crisis in black fatherhood: while just 29 per cent of whites are born out of wedlock, the figure is 72 per cent for blacks. One result is a racial imbalance in welfare dependency: African-Americans make up about 13 per cent of the population yet 39.8 per cent of those on welfare rolls. Other frightening statistics point to a serious cultural malaise. Four out of five black women are overweight or obese; black women account for nearly 36 per cent of all abortions performed in the United States.

Comboio, barco etc

É melhor não andar de avião nos próximos  tempos.

Mais trincheira

Para a secção costista da  blogosfera,  o secretário-geral da UGT, apoiante de Seguro,  já é um "caseiro  de herdades dos Espírito Santo".
Temos  de correr com este governo para pôr lá esta  gente de alto coturno.

Antena islâmica

A Arábia Saudita, membro do Comité para os Direitos Humanos da ONU, usa uma armadilha especial para apanhar gays.

Traços ( 7)


Se os pobres percebem  muito bem  os ricos, já estes não entendem a pobreza.
A compreensão é o elevador avariado da pirâmide social.



segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Um sabor que vem de longe

A  dita esquerda revolucionária-pura portuguesa  entende ser o mais acabado exemplo de nepotismo a a contratação do filho ( já não há  sobrinhos de bispos)  de Durão Baroso para  a CGD.
Dou-vos um doce se encontrarem a mesma apreciação a esta estelífera combinação:


Somos  de uma enorme condescendência com estes palhaços políticos .

Para começar bem a semana

domingo, 17 de agosto de 2014

Maxi energia

Os velhos velhos e os novos velhos  continuam a apelar à juventude para se revoltar.
Não podem. Sao centenas de festivais e até ilegais.

Solidariedades

Cresci sem nunca ter testemunhado a esquerda americana  comparar um detido sem direitos  em Los Angeles com a situação de um desgraçado qualquer em Moscovo ou Havana.
Mas Ferguson é Gaza e vice-versa.

Lisboa 1972 , Lisboa 2014

Curt Meyer-Clason, amigo de  José Cardoso Pires e Bernardo Santareno, tradutor de Luandino Vieira, num jantar de aniversário de Isabel da Nóbrega:

"Juntam-se umas cinquenta pessoas, oposição , escritores, músicos, actores, artistas pláticos. a velha guida da revolta mansa, os mais dotados do país,  que se apresentam  como elite e defensores do povo, mas que sabem menos  do povo do que qualquer habitante de um país do centro-europeu(....).
(...) Luta de classes, claro, mas como objectivo distante e utopia. Se um deles quisesse fazer falar um camponês , no palco ou num romance, teria antes de fazer pesquisa com fita gravada e  bloco notas".

Pouco  mudou. A guilda mansa entretem-se, agora  sem risco nenhum,   a fazer e desfazer partidos e plataformas nos intervalos  das viagens para fora da piolheira.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Lopetegui

Vai  pôr um puto da formação, com 17 anos, a titular: Ruben Neves.
Vi os jogos do FCP  da pré-época e vi trabalho e ideias. E vi que Ruben neves era melhor do que Casemiro. Um treinador é isto.

Inconscientes colectivos

Cumprimos um velho sonho da dependência do pressuposto  colectivo inconsciente do casal providencial( José e Maria) . Temos  um pai mau  ( governo) e uma mãe boa ( TC).
Deve ser por isso que os portugueses falam como se tivessem batatas na boca.


quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Traços ( 6)


Sentia saudades  de lutar contra a  vontade  de a ter.
Como dizia Rilke: adianta-te ao adeus.

"O que é mau para o país é bom para o Bloco" ( Daniel Oliveira)


Sempre que o INE publica uma boa notícia para a economia, é conjuntural ou  irrelevante.
Sempre que o INE publica uma má notícia para economia, é estrutural e  importante.

Quem diz o Bloco, diz o PCP, os socráticos ou os snipers. 
Isto incomoda-me, porque, tendendo a desconfiar das boas notícias, fico a inclinado a acreditar nelas.

É culpa

Da autoridade marítima, do Estado, do governo, da polícia, dos media,  dos telemoveis, do Bush, do Pato Donald.

Da manha

"E faz uma revelação: “Verifiquei uma coisa que não sabia antes: o Parlamento Europeu não tem utilidade. É um faz-de-conta. Não manda nada, apesar de todas as ilusões, todas as proclamações, que são mentira".

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Traços ( 4)

O homem olha para os filhos sem deixar de pensar o que seriam eles sem ele. Esta ilusão desfaz-se a meio da vida do homem e inverte-se no fim dela.
A família é uma montanha em cujo ombro flamula sempre uma bandeira.

Traços (3)


Desistir é como resistir, mas com a certeza de ter sucesso.
O suicídio é, neste mundo, a ficção suprema.

(Bolor, cont.) Ana Gomes, por seu lado, ontem era uma cavaleira andante mas hoje é uma vaca

55.000 euros

Para um "estudo sobre o mundo rural" ( sic).

Augusto Abelaira

O que me faz recordar o livro é que isto  foi durante anos  um dos cepos das marradas dos analistas  e blogues socráticos, mas "a Manela", como lhe chamavam, é agora uma cavaleira andante para eles.
A trincheira é, de facto, uma loca infecta.

Anacronia

"Quando virem os jovens na rua a sério, isto vai mudar”.
Já lá estão há muito tempo.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Traços ( 2)


Quanto tempo temos, é um par cujo primeiro elemento é a verdade e o segundo é o medo.
Quanto tempo desperdiçamos, é um par cujo primeiro elemento é a memória e o segundo é a coragem.

Traços ( 1)


Esperar é o desejo burocrático.
Então esperemos sem querer,  a ver se não acontece.

No tell, no news

"Another story that does not get covered is the fact that most of Gaza is unharmed. Despite the thousands of Israeli bombs, missiles  and artillery shells fired into Gaza in the last month over 96 percent of the structures in Gaza are intact. Israel is using smart bombs and guided missiles meaning that most of the attacks destroy or damage individual structures, not entire neighborhoods as in the past (before smart bombs became standard). Images of all those intact Gaza towns and neighborhoods do not attract a lot of eyeballs and are not considered newsworthy. Another bit of non-news is the 40,000 tons of humanitarian aid (most of it food and medical supplies) Israel has allowed into Gaza since July 9th. Also non-news are the thousands of Israeli attacks called off at the last minute because civilians were detected in the target area."

(aqui )

A crise

Provoca  agressividade dissociativa inscrita  no rizoma do desespero vivido pelos jovens  sem futuro, sem perspectiva de uma vida digna e alicerçada no sonho. Como dizia Bataille, a verdade é uma contradição violenta.

Garganta funda

Houve ou não houve?

Rimas





"Feces rubbed all over the walls"?  Pode ser um infantário.
Tem de se investigar a fundo  este link. Progresso civilizacional ou regressão  anal?

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

E por falar em canalhices



Foi refrescante ver toda a gente bater no Correio da Manhã por causa das  notícias sobre Sócrates, quando foi a Sábado que  abriu o baile.
Fica bem bater no pasquim, mas não na Sábado: escreve lá gente amiga e decente.

Irra que explico outra vez

A propósito das canalhices dos artistas portugueses que se queixam de que o país está uma desgraça e não os aprecia tudo porque este governo nos fez isto e aquilo.
Um grande amigo meu foi durante muitos  anos  empresário de nomes conhecidíssimos ( e de outros que na altura  niguém ouvia falar e agora enchem salas,  como o Legendary Tiger Man). Ele contava-me , por exemplo, pelos idos de 2004, como a coisa funcionava. As câmaras contratavam os seus artistas, iam todos, dormiam bem e comiam melhor, os cheques chegavam na hora. Os concertos eram de borla: BORLA.
Ou seja, os artistas ganhavam, o publicozinho ganhava,  ele ganhava, as câmaras pagavam. Quando chegámos a 2010, estávamos nós  numa esplanada a beber umas louras e perguntei-lhe: Então agora, como é? Ele respondeu: Agora acabou-se.

Badam...

Não há Camilo nem Wallace Stevens.

Outra vez os curdos...



E umas manifestações de protesto, uns textos  e  uns posts grávidos de indignação moral contra as vítimas  destes rapazes do IS ( slideshow)? Como? Ah... não pode ser, não é em Gaza, não há imagens do pai com  a criança morta nos braços, o The Guardian não traz nada. Compreendo.
Também, o que são 500 de cada vez, alguns enterrados vivos?

Afinal...

Nem sei como o meu caríssimo Pedro Adão e Silva  e o dr. João Galamba conseguem dormir.

domingo, 10 de agosto de 2014

Cara al sol


O meu farmacêutico, doutor estimadíssimo,  apresenta-me aos das tertúlias espontâneas como sendo  o da extrema-direita do Benfica. Todos se riem, inclusive eu, porque  é uma arte passar por tolo no meio de tolos ( futebolísticos, entenda-se).
Sou o Primo de Rivera do Benfica porque defendo um presidente  que nunca tenha sido sócio nem simpatizante de outro clube, um treinador benfiquista ( e ambos fluentes em português)   e a presença no plantel de uma percentagem avultada de jogadores criados na casa.
 O Benfica cosmopolita e democrático é o que ganha de 4 em 4 anos, o  dos jogadores comprados e vendidos sem jogar um único segundo pelo clube, o dos miúdos expulsos por serem miúdos, o da camioneta de sérvios, o do tractor a pedal que era tão bom ( só eu não percebia)  e afinal foi vendido ao preço da uva mijona  para os confins da Anatólia. Será também  o das temporadas inteiras de Robertos, Emersons e Melgarejos, que tiveram direito a elas porque o nosso treinador é um Derrida de fino corte  e não olha a nacionalidades, religiões, cor de pele ou qualidade.
Enfim, lá estarei logo à noite -  diante da televisão, essa Cassandra avariada -  a apoiar este Benfica. Que graça teriam as paixões se soubessemos como acabam? O William ( não o cepo que cá jogou,  o outro, o inglês) é que a apanhou bem: quem não sabe para onde quer ir chega mais longe.

Bocejo

Uma notícia, nenhum debate, não há mães da plaza de mayo nesta história nem velhos franquistas  escondidos. Foi  apenas mais uma experiência que correu mal, o  verdadeiro comunismo ainda não aconteceu, blá blá blá:

"Para cumprir uma utopia maoísta de uma sociedade agrária pura, onde não houvesse moeda nem cidades, após tomarem o poder os Khmer Vermelho esvaziaram em poucos dias os centros urbanos do país, numa das maiores marchas forçadas da história moderna. Quem desobedecesse era executado, o mesmo destino dado a quem fosse considerado inimigo do povo — intelectuais, membros do regime anterior ou membros das minorias".

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Da série "O som e a fúria"

O meu desporto é a versificação
e troco o próprio verão por três quatro palavras
dessas a que é alheio o coração
Um verdadeiro pescador é dias que nas redes traz
uma vida não chega para fazer um pescador
na consciência oculta e ignorada do seu tempo
Mas tantas coisas houve que passaram para mim
essa dor onde havia íntimas mulheres
largos ao sol quadros antigos tons de luz
recantos odorosos como a adolescência
essa prega dos lábios onde nasce o riso
o limiar da dor ou os acessos ao amor
tudo isso situado nas imediações dos olhos

Ruy Belo, "Enganos e desencontros"

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Diz que é uma espécie de publicidade em causa própria


Good PS/Bad PS

Já percebi. António Costa vai fazer o Novo PS, o "partido bom", que fica sem dívidas e é recapitalizado por um fundo de militantes e simpatizantes que só querem o nosso bem. Seguro é o "partido mau" e será suspenso, juntamente com a família e os amigos, porque usou o capital do PS em activos tóxicos para accionistas e depositantes.
Ah, se o caso BES fosse assim tão claro...

A prova

É fácil dizer isto agora, mas a notícia (lida no Público) de que "dois em cada três docentes deram erros ortográficos" na famosa prova para os professores contratados não me surpreende. Sempre disse, e com conhecimento de causa, que muitos candidatos a professores têm um domínio insuficiente da língua materna.
Podem responder-me que isso não afecta a docência da Matemática ou da Educação Física, mas mantenho as minhas dúvidas. Uma palavra mal escrita prejudica os alunos porque o ensino é integrado. A língua é o primeiro recurso de qualquer professor.
Não sei se a prova é a melhor possível, e até acredito que haja outras melhores, mas este resultado é um sinal de alerta. Só não vê quem não quer. Talvez agora concordemos que a exibição de uma licenciatura ou de um mestrado não dá a ninguém o direito de ensinar.

Uma vez que

... o Dr. Vicente não está cá, alguém tem a bondade de me explicar o que se passa com o Benfica? (O BES pode esperar.)

Tucídides de Atenas


Em cada linha que escreve, o historiador, se não é mero papagaio de lugares-comuns, desenha à transparência uma metafísica, uma filosofia do Homem, uma teoria da sociedade, uma epistemologia. Não se pode escrever história sem uma visão do mundo. Leia-se o primeiro parágrafo da História da Guerra do Peloponeso:

“Tucídides de Atenas escreveu a guerra dos atenienses contra os espartanos. Começou a narração no início da guerra, tendo predito que ela ganharia grandes proporções e que seria mais digna de memória do que todas as já travadas porque, ao entrar em luta, uns e outros estavam no auge do seu poder e porque o restante povo grego alinhou de um e do outro lado. Este conflito foi o maior para os gregos e para alguns povos bárbaros e, pode dizer-se, atingiu a maior parte da humanidade.”

 Estas palavras, datadas provavelmente do final do século V a.C., dizem-nos para que serve a história (a mesma pergunta, recorde-se, pela qual o grande Marc Bloch começará, dois mil e quinhentos anos depois e também no meio de uma guerra "de grandes proporções", a sua Apologie Pour l´Histoire ou Métier d`Historien) . Dizem-nos que a história nos ensina quem somos. Tucídides não é apenas um indivíduo, um animal, um conjunto de células. Faz parte de um povo, de uma comunidade, de uma tradição. Por isso nos informa, logo no início, que é “de Atenas”, o que o leva a contar  a“guerra dos atenienses contra os espartanos”, essa “guerra mais digna de memória do que todas já travadas”. É digna de memória, em primeiro lugar, porque a viveu de perto e viveu-a de perto como ateniense. Não é neutro. Contar a guerra do Peloponeso é contar a sua vida, mas também a vida dos homens que viveram ao seu lado. A história não é uma simples curiosidade arqueológica. É o conhecimento dos homens no tempo, o primeiro dos quais somos nós próprios.

Mas, entre estes homens, Tucídides não se limita a fazer a história dos atenienses. Nem sequer dos espartanos. A guerra envolveu todo o “povo grego” e mesmo “a maior parte da humanidade”. Ao contá-la, Tucídides descobre necessariamente a sua humanidade, comum a todos os gregos e a todos os que foram atingidos pela guerra. Os antigos colocavam a história entre as humanidades, as ciências que têm por objecto o próprio Homem. Sem conhecer a história não conhecemos os homens que a fazem - mesmo que os homens nem sempre conheçam a história que fazem, na fórmula demasiado célebre de Marx. Podemos conhecê-los enquanto animais ou conjuntos de células, mas não na sua humanidade. A história é a memória da nossa humanidade.

O que não deixa de ser um paradoxo. A história revela-nos, contra todas as evidências, que somos humanos. Revela-nos que somos o único animal que tem razão e liberdade, o único conjunto de células capaz de julgar o bem e o mal. É por isso que Tucidídes se mostra tão crítico dos seus compatriotas que sucederam a Péricles e conduziram Atenas à derrota. Ele, que viu como o conflito trouxe a desgraça à cidade e a toda a Grécia, não o conta como se fosse inevitável. Conta que foi uma escolha de duas polei “no auge dos seu poder ” e que “o restante povo grego alinhou de um lado e do outro”. Narrando o caos, a história torna-se portadora de sentido por entre a sucessão dos acontecimentos. Diz-nos que alguns acontecimentos, por exemplo a guerra do Peloponeso, são mais importantes do que outros, têm mais consequências do que outros, influenciam-nos mais do que outros. É um antídoto contra a banalidade e a indiferença.
Um clássico, dizia alguém, é uma obra sempre actual.