terça-feira, 4 de março de 2014

Perdidos


 No  excelente ( sempre que vejo pós-estalinistas escrever assim fico satisfeito) 5Dias,  um blogue onde  dão tiros nos pés e depois queixam-se de lhes  sobrar sapatos:


"Em Portugal também temos exemplos dessa hipocrisia. Duarte Marques, o mete-nojo ex-lider da JSD, foi a Kiev incitar à violência fascista. Para esta personagem as manifestações violentas e armadas protagonizadas pelos nazis em Kiev nunca receberam uma condenação, antes pelo contrário, o moço até se congratulou com o derrube de um governo eleito às mãos de uma turba violenta e armada. HIPÓCRITA!!! Lembram-se do que esta escumalha disse a propósito da manifestação de 14 de Novembro de 2012 onde meia dúzia de pedras foram atiradas à polícia? Lembram-se do que esta gente diz sempre que se fala em fazer cair o governo e convocar eleições antecipadas? Pois… esta gente é hipócrita e mente com todos os dentes que tem na boca. Não hesitam nem um segundo em romper a lei e promover a violência se isso lhes for benéfico… se controlam a lei atiram anátemas contra qualquer mínimo distúrbio ao regime em vigor".

Aceitar não é curar

No Depressão Colectiva.

Não é um "bar de praia"

Que está ameaçado, é o Pra Lá Caminha,que é muito diferente...

Seguro e o arraial

Grande parte da raiva contra Seguro, expelida pelo arraial -  socraticos e Aula Magna -, é da mesma natureza da expelida contra Cavaco. Se repararem bem, são as mesmas pessoas, nas mesmas tribunas   e a mesma premissa inicial: Seguro e Cavaco facilitam a vida ao governo.
O arraial  começou a assestar baterias na dupla Seguro/Cavaco só depois do esvaziamento do momentum das manifs. A ideia era simples: este governo não podia governar. E não me venham a com história  da política de austeridade para enganar tolinhos:  os socráticos entenderam sempre que este governo é usurpador da  grande sucessão de PEC's, os Aula Magna, como Soares e Pacheco  Pereira, descrevem o PSD como uma comandita mafiosa.
O arraial assegurou sempre que este governo não iria, não poderia chegar ao fim da legislatura. Por isso é que nunca se incomodaram  em apresentar  alternativas e odiaram tanto  que os interpelassem sobre as tais  alternativas. O importante, sob a capa do patriotismo de lágrima fácil, foi sempre assegurar o fracasso de Passos e Portas.
Quando Seguro tenta fazer diferente,  é desprezado  e tratado como o Forrest Gump da política portuguesa ( "o tolo que deu a mão ao governo"). Prevalece o sentimento de casta, o mesmo que, in illo tempore,  desprezou Cavaco.


segunda-feira, 3 de março de 2014

Blanchot, sempre

Noli me legere, é o  lema que Blanchot  explora no Aprés Coup.
Levinas explica:

Em todo o lado

O emplastro.

Já passou

Os simpáticos calimeros estão outra vez com a calimerite aguda. Tão sincronizados, parece ballet.
Arrumada a excruciante questão do atraso   de 1.46m do FCP, voltam aos apitos. O  efeito do monumental  banho de bola que levaram  há quinze  dias passou rápido.
Temos de organizar um particular ou assim.

domingo, 2 de março de 2014

Retrato de família



Endividámo-nos anos a fio, apanhámo-nos sem moeda própria  e num tempo de batoteiros internacionais   particularmente activos, afundámo-nos. Estamos, e continuaremos,  a pagar com língua de palmo. A partir daqui é só histeria e originalidades:

1) Uma maioria que  cumpriu o que tinha  a cumprir, mas que os inteligentes das esquerdas e franco-atiradores avulsos  cobriram de um manto de  intenções programático-ideológicas. Não há ali ideologia nenhuma, como se viu na transformação do partido do contribuinte em partido do IRS. Há, apenas, sobrevivência política.

2) O que nos leva à segunda  originalidade. Este PS, ou qualquer outro, se a maioria tivesse escorregado, apanhava as canas, o foquete, o CD do Quim Barreiros  e continuava a festa. A maioria ficou, este PS espera para fazer os acabamentos. Ou querem convencer-se de que o PS do Jorge Coelho  da Mota Engil, do risonho  dr. Vitorino, um dos  nossos  Pandolfinis, e  do Pina Moura da Iberdrola, é a esquerda da alternativa? Ide brincar ao lego.

3) Uma outra esquerda Aula Magna, que agrupa desde gente da campanha de Humberto Delgado a comediantes da MEO, encerrada nos restaurantes de Lisboa e em amizades de faculdade de Lisboa e para quem, literalmente, o resto do país é labregos e  paisagem. Por isso se ocupam furiosamente da mutilação genital feminina e do piropo ou fundam partidos e movimentos de cada vez que se zangam ao telefone. Na maior crise desde sempre ( palavras deles), exibem o peso político de um velho PCTP/MRPP constipado.  Está tudo dito.

4) Um PCP que, como numa ficção barata, apresenta caras novas com vícios velhos.
 Se lerem mesmo, em vez de ver apenas o filme, encontram a explicação dada pelo príncipe de Salina  a Chevalley : somos  ( os sicilianos ) velhos e não mudamos porque somos perfeitos.






Turquia

Enquanto outros lugares vão recebendo muita antenção, na Turquia  preparam-se lostras das grossas.
Já vimos este filme, sabemos  como acaba. Arrisco uma previsão: em menos de dois meses a coisa explode.

O Dragão de Ouro

Já não tem Sócrates nem os contribuintes para esfolar,  mas não dorme em serviço.

sábado, 1 de março de 2014

Política Parque Meyer

 "Depois, basta dizer meia dúzia de frases de índole social, triviais e desligadas do contexto actual, em particular desligadas da sua relação com a política do governo, para se passar a ser social democrata. Os pobres de facto tem costas largas na política, e servem para as lágrimas de circunstância". 

 Como, por exemplo, a barrosíssima frase "não faremos  uma  segunda ponte sobre o Tejo enquanto houver uma criança com fome". Nessa altura a política do PSD era séria, nada trivial, os pobres  tinham costas estreitas e Pacheco Pereira ainda  estava a empacotar  as coisas para ir para Paris.