quinta-feira, 27 de março de 2014

A grande sonsa ataca de novo

Ana Lourenço, há pouco, na SIC-N, entrevistou Pedro Silva Pereira. Em vez de lhe perguntar como é que um socrático aceitou  um lugar na lista do vergonhoso Tó Zé, preferiu isto: A direcção do PS  quis  afastar uma voz incómoda?
Ou seja, Silva Pereira, coitadinho, recebeu ordem de marcha de Ivan-Seguro-o Terrível para ficar calado  a lavar pratos em Estrasburgo.
Ainda bem que, vindo tarde da clínica, só jantei uma sopinha.

Raiva, raiva...

Causou isto.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Cabeça fria

Fernanda Câncio tem toda  a razão:

"imagine-se, por exemplo, que no quadratura do círculo carlos andrade resolvia 'entrevistar' costa sobre o seu consulado como presidente da câmara ou pacheco pereira sobre o tudo e o seu contrário que já defendeu desde que a gente o conhece. ou ana lourenço virar-se para louçã e começar a interpelá-lo sobre o be pós dito, a solução bicéfala que lá impôs, etc, em vez de o ouvir sobre os temas que este preparou para o comentário? ou maria joão ruela confrontar marques mendes com as críticas que fez à linha de redução do défice do governo de sócrates, quando agora é todo austeritário, e levar um dossier de declarações dele de quando foi presidente do psd e levar o tempo todo a citar-lhas? toda a gente acharia estapafúrdio e sem sentido, não era? "

Sócrates, com os seus defeitos,  é o único político de massa real que produzimos desde os históricos ( Soares, Sá Carneiro, Cunhal). É o único que não tem medo de ser odiado.

Não escavem muito...

Ou encontram surpresas.

Pobreza, mas de pensamento


Não sei se estamos condenados a empobrecer ( desde que perdemos Malaca tem sido sempre a descer), mas no plano intelectual a coisa não está famosa. Falo do intelectual sobremoderno  como Said o descreve: entre  a academia e os media, produtor de um discurso inovador sem medo de intervir no presente. Se quiserem  exemplos, Aron, Bobbio  ou Eduardo Prado Coelho.
 Uma tralha pós-leninista e pós-maoísta sobrevive pendurada em Zizeck, que substituiu Chomsky, Debord  e Deleuze ( que tinham substituído Sartre) no coração dos orfãos de Hoxa e Mao ( Edward Said não passou, infelizmente,  em Portugal dos portões das universidades). Ocasionalmente, ressuscitam Bataille, ignoram Levinas e não ligam pevide  a Blanchot ( claro).
No outro extremo do espectro, chafurda-se em Mises, Kristol, Himmelfarb ( Berlin menos, para pena minha), geralmente sob  a batuta do prof.Espada, repetindo sem vergonha textos que qualquer pessoa com cartão da Amazon conhece de cor e salteado. Encontramo-los em revistas clandestinas, projectos online, blogues, oscilando entre o plágio e o pueril.
Algumas excepções se foram produzindo. José Gil, Pacheco Pereira ( dos primeiros livros), Carrilho ( no estilo pavão), Pulido Valente, Barreto ( pomposo), poucas mais. Muitos não saem do armário: Tunhas, Fernando Gil ( já não sairá), Barrento. A dificuldade é sempre a mesma: encontrar o tom certo entre a academia e a intervenção.
Pelo contrário, a ponte entre o consumidor e o pensamento é feita por bonecos políticos. O espectáculo é garantido, o vazio quem mais ordena. Os bonecos da Contra-Reflexão são muitos. Dos analistas televisivos ( Marcelo, Mendes, Rosas, Bagão etc) aos descartáveis ( os proletários dos debates de cinco minutos), passando pelas vozes de facção ( António Costa, Pacheco Pereira, Louçã, RaquelVarela etc).

Enternecedora

Esta vocação  de serviço europeu dos nossos políticos:
"Nunca neguei que gostaria de desempenhar essa função, portanto, vou dar o melhor de mim próprio", declarou". 

segunda-feira, 24 de março de 2014