Agora: mentira, propaganda, infâmia.
Daqui a um ano: efeito psicologico da mudança.
terça-feira, 30 de setembro de 2014
Castilho/ Gôngora
Os verdadeiros versos gongóricos, infelizmente ainda presentes na poesia portuguesa contemporânea, foram escritos pelo próprio: Luís de Gôngora, o "Homero espanhol". Jauregui atacava o cultismo gongórico, não tanto pelo amaneiramento ou pela forma ( Reyes*), antes pela ausência de ideia e objecto poético.
Muita água passou por debaixo das pontes até o cego Feliciano Castilho escrever a Defesa de um Inconstante (1844), mas trago-a porque mistura as alusões cultistas ( Flavónio, Armia etc) com o alvo da poesia: escever ao lado da realidade:
Depois, sofre que ame sempre
em teu sexo a todos grato
os pedaços de um retrato
que a natureza quebrou.
Pois, mas toda a gente pode ser elegante. E Gôngora também consegue nesta fórmula fabulosa que os melhores ermeticos matariam para assinar:
La dulce boca que a gustar convida.
* Conferencia do Ateneo, 26 de Janeiro de 1910
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Le cirque
Então o governo não ia cair já e não queriam eleições antecipadas?
Então o salário mínimo para o povo esfaimado já não é bom?
Isto é tudo demasiado ético para mim, não estou à altura.
PS, manual de instruções
1) Tendência? Listas adversárias no congresso? Isso é que era bom: só 1/3 do partido é que não votou em Costa.
2) Ética: Enquanto assinava o documento de Coimbra, Costa concorria a Lisboa precavendo a saída.
3) Seguro, primárias? Não contribuiu para nada. Como dizia hoje o Nogueira do Tubo de Ensaio ( TSF), "teve tanto mérito como o gajo que inventou a esferográfica presa ao cordel na cabine de voto".
Conclusão: De chacun selon ses facultés, à chacun selon ses besoins.
Não vai ser bonito
A vitória de Costa foi tão grande que o seu maior desafio, agora, é baixar as expectativas. Do PS, primeiro, que estará a sonhar com a maioria absoluta nas legislativas; dos eleitores, depois, que provavelmente esperam do voto em Costa o fim de todos os problemas; de Pacheco Pereira, por fim, que ontem vislumbrou a chegada de D. Sebastião ao Largo do Rato. Mas a dinâmica de vitória é inegável. Costa vem de duas eleições triunfais (nas autárquicas de Lisboa e nas primárias do PS), tem um comício semanal na televisão e enfrenta um Governo impopular e um Primeiro-Ministro desacreditado. Como dizia o outro, só tem que fazer de morto para ganhar em 2015.
Aliás, será curioso ver como reagem o PSD e o CDS. Ou muito me engano ou Portas, com a sua conhecida lealdade, tentará a todo o custo demarcar-se das políticas mais onerosas da actual maioria, talvez com um olho na coligação à esquerda se o PS não tiver maioria absoluta (uma forte possibilidade). E Passos terá a tentação de cair na demagogia para conseguir um bom resultado. O próximo ano não vai ser bonito.
domingo, 28 de setembro de 2014
PS: o regresso dos aliens
Havia bloggers e analistas que hoje ainda discutiam a possível vitória de Seguro.
É preciso ser muito cepo.
Remar, sempre
A partir de hoje o assunto morre. Costa é sufragado e de 150.000 contos passámos para a excruciante investigação de quantos almoços Passos comeu à conta da ONG. As cartas anónimas deviam incluir facturas detalhadas.
A
mim interessava-me muito mais que se investigasse a fundo as
actividades dos facilitadores de negócios e das procelárias dos
dinheiros comunitários, mas como me lembro bem do fim triste do caso do
Fundo Social Europeu/Partex/Caixa Económica Açoriana, posso esperar
sentado.
Estou à vontade para me divertir com os urros dos justiceiros de ocasião : no tempo do Freeport os meus textos eram citados a par dos do Câmara Corporativa ( pois é...). Este, entre outros, por exemplo.
Como dizem os inteligentes: sou burro, não mudo.
sábado, 27 de setembro de 2014
Sempre tem umas fotos do tempo da Tecnoforma
Para compensar, dr. Ângelo Correia.
Quando as pessoas passam do "não há direitos adquiridos" para o "afinal há direitos adquiridos", lembram-se sempre, por exemplo, do Sá Carneiro.
Em suma, isto agora é uma tristeza, não há valores, enfim, um declínio total.
Quando as pessoas passam do "não há direitos adquiridos" para o "afinal há direitos adquiridos", lembram-se sempre, por exemplo, do Sá Carneiro.
Em suma, isto agora é uma tristeza, não há valores, enfim, um declínio total.
É por estas e por outras que depois as pessoas sérias não querem ir para a política
Para espanto dos povos e salvação da justiça, a Procuradoria-Geral da República arquivou o "caso Tecnoforma", pelo menos no que toca às eventuais ilegalidades do Senhor Presidente do Conselho, perdão, do Senhor Primeiro-Ministro. Um desfecho que, evidentemente, nunca passou pela cabeça de ninguém e iliba o nosso Querido Líder, perdão, o nosso Primeiro-Ministro, de todas, mesmo todas, todíssimas as suspeitas.
Encerrado o caso, há que tirar as devidas conclusões, como muito bem disse o Senhor Presidente do Conselho, perdão, o senhor Primeiro-Ministro.
Por exemplo, que o amor de Passos Coelho ao empreendedorismo é tão grande que não se importou de trabalhar, sem nada receber em troca, em empresas candidatas a fundos públicos cuja atribuição era decidida por amigos e companheiros de partido.
Ou que o regime de exclusividade de Passos no Parlamento não o impediu de fazer viagens a Bruxelas e a Cabo Verde, ao serviço da dita empresa, para fundar universidades em África e projectos de reinserção social na Grande Lisboa, tal era o seu empenho em espalhar o bem e a ciência.
Ou que Passos Coelho é tão altruísta que não recebeu um centavo, excepto umas nunca discriminadas mas certamente modestas despesas de representação, por este meritório esforço de levar o progresso a Oeiras e ao Terceiro Mundo.
Assim sendo, como é que alguém pode pôr em causa o direito ao bom nome e à presunção de inocência do Querido Líder, perdão, do Primeiro-Ministro? Só mesmo reles xuxas que se querem vingar do justo tratamento aplicado ao Vara e à Lurdinhas... Mas não conseguirão! Felizmente, a gloriosa maioria que nos governa impedirá esses atentados contra o Senhor Presidente do Conselho, perdão, o Estado de direito.
Encerrado o caso, há que tirar as devidas conclusões, como muito bem disse o Senhor Presidente do Conselho, perdão, o senhor Primeiro-Ministro.
Por exemplo, que o amor de Passos Coelho ao empreendedorismo é tão grande que não se importou de trabalhar, sem nada receber em troca, em empresas candidatas a fundos públicos cuja atribuição era decidida por amigos e companheiros de partido.
Ou que o regime de exclusividade de Passos no Parlamento não o impediu de fazer viagens a Bruxelas e a Cabo Verde, ao serviço da dita empresa, para fundar universidades em África e projectos de reinserção social na Grande Lisboa, tal era o seu empenho em espalhar o bem e a ciência.
Ou que Passos Coelho é tão altruísta que não recebeu um centavo, excepto umas nunca discriminadas mas certamente modestas despesas de representação, por este meritório esforço de levar o progresso a Oeiras e ao Terceiro Mundo.
Assim sendo, como é que alguém pode pôr em causa o direito ao bom nome e à presunção de inocência do Querido Líder, perdão, do Primeiro-Ministro? Só mesmo reles xuxas que se querem vingar do justo tratamento aplicado ao Vara e à Lurdinhas... Mas não conseguirão! Felizmente, a gloriosa maioria que nos governa impedirá esses atentados contra o Senhor Presidente do Conselho, perdão, o Estado de direito.
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