Vamos ver se os ricos doadores suecos ou americanos se vão preocupar tanto com os homens masai como se emocionam com a sobrevivência da leoa Elsa ou do elefante Kalu.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2015
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Diário de um cínico
Talvez eu esteja ver mal, mas não compreendo o frisson à volta da vitória do Syriza. Houve eleições livres, ganhou um partido com um programa delirante e, agora, está a dar sinais de que não o vai aplicar. Acontece muito. Já nos esquecemos de Hollande, o último messias da esquerda? Enquanto o Dr. Soares diz que Tsipras é o futuro (como já disse de Hollande) e não há cão nem gato que se abstenha de cavalgar a onda (proeza manifestamente difícil para cães e gatos, como se imagina), o Syriza chamou para o Governo um partido de direita e repetiu que não quer sair do euro. O equilíbrio é difícil, mas não é impossível. Em todo caso, é antes de mais nada um problema dos gregos, os tais que votaram nas eleições. Esqueçamos, por momentos, a retórica inflamada da nacionalização da banca, que aliás aconteceu por cá mesmo sem o Syriza, e as ameaças de "Grexit" da Sra Merkel, que aliás se destinam a garantir uma posição forte à mesa das negociações. O mais provável é que o Sr. Tsipras, engolindo a retórica e o orgulho, apresente um plano de renegociação da dívida à odiada troika, que se agarrará a qualquer possibilidade de pagamento, alargando prazos ou diminuindo juros, para salvar a face e (algum) dinheiro.
Eu ficaria mais preocupado com o terceiro lugar do Aurora Dourada. Porque, se o Syriza falhar e houver eleições daqui a um ano, a possibilidade de chegarem ao poder torna-se bem real. E isso, sim, assusta bastante. Não porque o seu programa seja menos delirante do que o do Syriza, embora em sentido muito diferente, mas porque seria a primeira vez que um partido de extrema-direita chega ao poder num país em risco de sair do euro. Ora, aquilo que a direita radical quer, por essa Europa fora, é mais radical do que "o fim da austeridade". Não é a renegociação da dívida, é o fim da União Europeia tal como a conhecemos. A União Europeia tem homéricos defeitos, entre os quais ter gerado a classe política que nos trouxe a este labirinto. Só mentes brilhantes como as da burocracia de Bruxelas poderiam ter entronizado Juncker, que fez do Luxemburgo um offshore secreto nas suas barbas. E só estas mentes brilhantes não percebem que o voto no Sr. Tsipras ou na Sra. Le Pen é um protesto contra o seu autismo. Mas a União Europeia, com todos os defeitos, deu ao velho continente setenta anos de paz e riqueza. Duvido que a Sra. Le Pen concorde comigo. Mais uma razão para ver se o Tsipras faz melhor.
Eu ficaria mais preocupado com o terceiro lugar do Aurora Dourada. Porque, se o Syriza falhar e houver eleições daqui a um ano, a possibilidade de chegarem ao poder torna-se bem real. E isso, sim, assusta bastante. Não porque o seu programa seja menos delirante do que o do Syriza, embora em sentido muito diferente, mas porque seria a primeira vez que um partido de extrema-direita chega ao poder num país em risco de sair do euro. Ora, aquilo que a direita radical quer, por essa Europa fora, é mais radical do que "o fim da austeridade". Não é a renegociação da dívida, é o fim da União Europeia tal como a conhecemos. A União Europeia tem homéricos defeitos, entre os quais ter gerado a classe política que nos trouxe a este labirinto. Só mentes brilhantes como as da burocracia de Bruxelas poderiam ter entronizado Juncker, que fez do Luxemburgo um offshore secreto nas suas barbas. E só estas mentes brilhantes não percebem que o voto no Sr. Tsipras ou na Sra. Le Pen é um protesto contra o seu autismo. Mas a União Europeia, com todos os defeitos, deu ao velho continente setenta anos de paz e riqueza. Duvido que a Sra. Le Pen concorde comigo. Mais uma razão para ver se o Tsipras faz melhor.
A israelização da Europa ( III) : é a cultura, estúpido
1) O assunto da adopção gay não é menor nem uma simples causa fracturante. Só um tolo não entende que o tema lança raízes nas mudanças culturais do que se convencionou chamar cultura ocidental.
A imaginação forte é conservadora, defendia Hofmannsthal, no sentido que apenas a experiência nos pode levar a lidar com pessoas que temos de imaginar, na sua essência, diferentes de nós. E a experiência é conservadora, tanto quanto a inovação é revolucionária. Quero dizer, a experiência calcula, tenta, modifica à condição. O revolucionário salva, rompe com a tradição , abomina o passado, impõe a ordem nova.
A adopção gay tem a sua inscrição no individualismo suzerano, ocidental, na molecularização das pontes entre a aspirações individuais e o sentir colectivo. Na definição de Manchev: uma totalização privativa, a privatização do campo do sensível.O facto de a ideia ser minoritária - "a maioria das pessoas está contra" - não nos diz nada sobre a qualidade da proposta ( ou de outras). Este artigo desmonta bem a a diferença entre a verdade objectiva da opinião e a regra da maioria: numa democracia experimental, a regra maioritária inscreve o poder de decisão mas não o da verdade.
2) A aspiração comunitária islâmica radical é excêntrica à desmoralização democrática e observa um duplo papel, adaptando a fórmla de Aron ( que a usou para o marxismo): lá serve para justificar o poder, cá para o criticar)- a mesma doutrina serve de fundamento do totalitarismo consumado e de arma contra as sociedades liberais. Não por acaso, os velhos serventuários do comunismo aproveitam a colagem à crítica islâmica das democracias burguesas europeias. A propaganda islâmica agradece e ataca os esquerdistas liberais.
Tudo isto é pouco novo. Wassyla Tamtazi ( já a trouxe aos blogues na altura da publicação do livro) . Feminista argelina, escreveu Une femme en cólere ( Gallimard 2007) e nele menciona a manipulação. Na altura do l'affaire du foulard, o Le Monde publicou um documento asinado por intelectuais franceses de esquerda. Explicavam que as piscinas unissexo, os casamentos escolhidos, o tapar o corpo, eram práticas talvez censuráveis mas essenciais para sobrevivência feminina no meio muçulmano francês e culturalmente identitárias. Tamysa encoleriza-se , sobretudo quando a sua recusa deste diferencialismo cultural lhe valeu, a ela, muçulmana, a acusação de islamofobia.
O Público trazia no outro dia uma entrevista a Carlos Jorge de Sousa, sociólogo, coordenador do novo Observatório de Comunidades Ciganas. E o que diz o senhor? Que apoiará um projecto de escolarização em que meninas ciganas sejam postas numa turma só de raparigas: o ideal da interculturalidade é fundamental, até porque nos EUA há turmas assim, com a opção pela virgindade. Como se vê, a langue de bois, com o seu vácuo estelífero, não é exclusiva da propaganda islâmica integrista.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
Quase? Na histeria não existe "quase"
Meta-religiosos, fanáticos. Aliás, como muitos dos seus detractores:
Durante a entrevista, Henrique Neto falou ainda da legião socrática, tendo, aqui, referido que António José Seguro “foi vítima disso mesmo”. “Não era possível apaziguar o grupo de apoiantes de José Sócrates, eram quase religiosos”, sublinhou.
Durante a entrevista, Henrique Neto falou ainda da legião socrática, tendo, aqui, referido que António José Seguro “foi vítima disso mesmo”. “Não era possível apaziguar o grupo de apoiantes de José Sócrates, eram quase religiosos”, sublinhou.
Kaì sỳ téknon?
Indecente.
Prometeram-me uma revolução na Grécia. Durante anos, sempre que perguntava se ela tinha ido à casa de banho ou assim, explicavam-me que inevitável, a única forma de luta, que só um burro não percebia.
Afinal é só mais um fala-barato social democrata e em aliança com a direita nacionalista: "In truth, a SYRIZA victory will do little to revolutionize Greek society and much less to free Greece from the neoliberal shackles of the eurozone".
domingo, 25 de janeiro de 2015
Atenção, Kissinger:
O culpado da redução de efectivos americanos nas Lages, das alterações geopolíticas, enfim, do rumo da Historia, é o "parolo de fato Maconde que vive num T2 em Massamá".
sábado, 24 de janeiro de 2015
Hummmm...
Se o Syriza falhar? Violência? Sim, sim, toda a violência política é legítima, pelo menos enquanto não responsabilizam "fascistas infiltrados" por ela.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Relativismos
O João Miranda generaliza a partir de um caso de revistas cor de rosa. Bom para ele.
E continua a achar que isto é uma questão de moda e que uns doidos de uns activistas querem brincar ao duque de Alba com os desgraçados dos companheiros equiparados a autores de moscambilhas fiscais.
Bem, esta desgraçada foi à esquadra queixar-se de uma factura falsa, voltou para casa e deixou de ter problemas com o IRS.
adenda: e vão duas.
adenda: e vão duas.
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