sábado, 28 de fevereiro de 2015

Declínio e queda do Império (bipartidário)

Um pouco por toda Europa, as dinastias que reinaram nas últimas décadas estão a morrer. Os socialistas mais depressa, os conservadores mais devagar. Parece que a culpa é da invasão dos bárbaros, à esquerda e à direita. Talvez, mas fico sempre surpreendido com aqueles que atribuem a queda do Império à crise recente. Soa-me a wishful thinking de quem não vê que os bárbaros já estão entre nósA decadência, quanto a mim, é mais profunda e tem duas causas estruturais: a imigração e a desconfiança nos senadores. Em diferente medida, ambas estão presentes em todos as províncias. No norte, a primeira faz crescer a direita: Frente Nacional, UKIP, Pegida, etc. No sul, que se lembra bem do fascismo, a segunda alimenta a esquerda: Podemos, Syriza, PCP (sim, o PCP é populista, graças a Deus, e o nosso melhor antídoto contra partidos de protesto ainda mais populistas).
As coisas, claro, nem sempre são assim tão simples - nunca são. Também há legiões nacionalistas (SNP no Reino Unido, catalanistas e outros em Espanha, Liga Norte em Itália) e hordas de demagogos (Beppi e Berlusconi em Itália, Marinho Pinto por cá). Como os outros, querem os despojos de Roma. Tudo somado, é coisa para durar. As dinastias que se cuidem.

Orientalismos


Há um aspecto curioso nas célebres declarações de António Costa à comunidade chinesa e, de resto, nas tentativas canhestras de as justificar. Costa falou em português para uma plateia de imigrantes radicados entre nós, muitos deles pequenos e médios comerciantes, que não pensarão voltar à China tão cedo e sabem que o seu sucesso também se deve à crise. Ou seja, estão integrados na sociedade portuguesa e conhecem o terreno. E, no entanto, o líder da oposição sentiu-se obrigado a vender-lhes um país "diferente", um paraíso de oportunidades, uma terra prometida - em que diz não acreditar. Como se eles, há anos por cá, fossem uma espécie de turistas broncos, a quem cantamos o sol e a sardinha para sacar umas massas. É uma imagem inversa do "negócio da China": em vez de os visitarmos para enriquecer, visitam-nos eles para ser espremidos. Edward Said, um amigo aqui do Dr. Vicente, deve estar às voltas no túmulo. Meio século depois da descolonização, o orientalismo está bem e recomenda-se. E logo, ó ironia, pela boca de um neto do Oriente.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Agora já podemos dizer com o prof Boaventura:

São fascistas infiltrados.

Liberais com os Silvas, marginais com os Bavas

Às 21.40h ainda não tinham um texto sobre o gestor público nomeado pelo PS,  típico funcionário público que brinca com o dinheiro dos outros e não sabe nada, não viu nada etc.

O Reservador ( 9)

Claro, claro. Se não houvesse  a crise, o dr Gonçalo e a drª Rita adorariam  passar o ano  no Cacém  ou em Odemira. O mesmo se aplica à  raia: o dr Frederico ou  drª Marta Sofia  estão impedidos  pela crise  de apreciar as capuanas delícias da vida em Idanha ou na Sertã.
Por acaso acho bem. Se não fosse  a crise eu teria menos dez anos e mais dois pares de olhos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

In coelho veritas

Jorge Coelho, hoje , na Quadratura: "Isto do Costa com os chineses esteve seis ou sete dias sem ninguém lhe pegar".
Quando Relvas ia qualquer lado, mesmo a uma cabine telefónica, havia sempre uma câmara, um microfone  e um quase directo da Ana Lourenço ou da  TSF.

O Reservador ( 8)

 O nómada céptico:

No prefácio à primeira ( 1871)   Crítica da Razão Pura, Kant descreve  o céptico como uma espécie de nómada ( engolido  por revoadas de colonos que regressam para cultivar a terra). Wolf Lepenies, mais  de cem anos depois,  retomou a ideia, mas  com sentido positivo: o nómada vai sobreviver como homus europaeus,  céptico, sim, mas também inventivo, autocrítico e disposto à renúncia.
Os intelectuais de esquerda  europeus não cumpriram a autocrítica nem a renúncia vis a vis do terror político e económico da antiga Europa de Leste. Nem podiam, presos do mesmo  dogmatismo de Aquino diante dos averroístas. A experiência comunista foi ocultada, esquecida  e desculpada como um pequeno erro de percurso.
A situação em que estão hoje explica a histeria syriziana. A anacrónica Cuba, a desgraça venezuelana  ou o arquétipo norte-coreano não são bons de ver. Os intelectuais de esquerda e  as comanditas universitárias  e mediáticas também não querem olhar para o Brasil das negociatas e dos ministros demitidos  de hora em hora.
No fundo, merecem a situação. Incapazes de agarrar o mundo pelos cornos da desgraça, usam  a linguagem do século XIX com um mundo do século XXI em neurose autista ( não é metáfora desumana, é um conceito de Frances Tustin aplicável a não-autistas), que prefere a parte má do tecno-capitalismo a uma teia de aranha sem aranha.

Je suis socialiste

Anda um gajo a tentar fazer oposição aos neoliberais-fascistas que nos governam e vem o António Costa dizer que o país recuperou "nos últimos quatro anos"? Mas ele está por quem, afinal? Percebe-se que ande sempre caladinho... Por mim, solidarizo-me com o Alfredo Barroso: também vou rasgar o meu cartão de socialista. Se tiver um. Se não tiver, vou comprá-lo aos chineses. Os amigos são para as ocasiões.

O Reservador ( 7)

Solidarnosc:

Agora que a Grécia está novamente sob resgate da troika ( em novilíngua, "programa de ajustamento pela comissão tripartida")  podemos voltar aos nossos assuntos.

1) António Costa, como vimos, diante  de chineses ( a TSF demorou sete dias pôr no ar, as livres SIC-n e TVi nem sei se já o fizeram),   elogiou  a recuperação económica( um exagero, enfim...) dos últimos quatro anos e criticou violentamente os niilistas descrentes. Sem que se perceba por que motivo, este sítio não faz referência  à declaração de Costa ( embora lá tenha um post com o título "Deslizes"...). Ou seja, agora que o homem falou claro, Estrela Serrano também se cala. Resta-nos a esperança em Pacheco Pereira.

2) Enquanto esse  silêncio lambe chupa-chupas, protestemos contra outra faltas de solidariedade. Como bem lembra o FJ Viegas, e eu também tenho sido aqui muito  solidário com os venezuelanos, aquilo por  lá está animado. Prisões  a eito, prateleiras vazias, bastonadas, fome.  
A que se  deve este outro silêncio, este preconceito contra a Venezuela? Porquê esta subserviência da esquerda portuguesa ao  ...coiso, ao...qualquer ...coiso, coisa,  que está a asfixiar a Venezuela em nome de uma  austeridade  estúpida?

Estes não são "filosóficos":sem indústria discográfica, sem concessões