terça-feira, 9 de junho de 2015

A regra do jogo

A barbárie grassa como fogo em esteva  de Agosto, perseguindo desgraçados  que só querem levar uma vida normal.
Este professor de Cidadania numa escola de Óbidos  foi condenado em 2004 porque confundiu os conteúdos curriculares. Em 2008 reincidiu e foi de novo condenado . O que faz agora esta pobre vítima da justiça popular, coitado, reintegrado e já de contas ajustadas com a sociedade criminógena que o condenou? Dá aulas a miúdos.

A demagogia é facílima, não é? Com facilidade posso fazer passar que isto é a regra quando não é, mas não tenham dúvidas que basta um único  caso em que uns idiotas abusem da informação contida num registo de pedófilos para incomodar o ex-condenado e logo os humanistas, cultos e ilustrados o apresentarão como regra.
Agora vou apanhar ar.

domingo, 7 de junho de 2015

American sniper: a vitória do cinema

Não  há um discurso sobre a podridão da guerra, não há  um diálogo ( salvo uma coisa de segundos entre irmãos e resumido a uns impropérios vagos) , não há uma citação de Camus ou Remarque, não há nenhuma  comparação palavrosa entre a vida  doméstica com a mulher e filhos e a poeira e sangue iraquianos.
Tudo se passa em cinema. As alterações, de início imperceptíveis, nos modos do sniper, o encolher de ombros, os silêncios. Quando quebra,  chora como um homem normal. A melhor cena é ele no bar, a cem metros de casa. Atende o telemóvel, é a mulher que lhe pergunta se está na Alemanha ou no avião. O tipo diz que já chegou. Ela reprende-o como a um garoto, manda-o vir imediatamente  para casa. Ele acaba a cerveja  e diz apenas " OK". A reintegração também nos oferece um ex-sniper sem discursos de arrependimento, mas comprometido: vai ajudar veteranos mutilados. Depois morre.
O cinema é a história que intuimos  a partir da ambiguidade das imagens, as palavras estão lá para acreditarmos no que não vemos.

Barthes na segunda circular

Como escreveu Barthes ( Ouvriers et Pasteurs, 1960, Critique), a coragem nunca é senão uma distância: a que separa um acto do medo original de que se destaca. O que temos então?
Por aqui,  o  Pedro Correia e os restantes convivas negam, com humor,  a evidência, incomodados com a ginástica*  a que foram obrigados nestes últimos dias. O que temem? Não sei, mas noto com agrado que já escrevem  anotações de pé de página: "faltam os árbitros", mesmo que .. ao que o DN apurou, o novo treinador do Sporting considera que a atual estrutura é bastante débil. É deixá-los insistir na ideia, não os contrariar nunca, pelo amor dos deuses...
Já aqui a coragem foi excelente. Da contenção à expansão nem quinze dias passaram, a padaria pode ter sido nacionalizada ou vendida a africanos. Também me agrada, sou sincero, porque, se regressarmos  a Barthes, temos o medo original em todo o seu esplendor: como abafar o despedimento de quem acabou de ganhar o unico troféu em sete anos?
Na minha casa, o silêncio e a refexão de L.F.Vieira: conheço poucas coisas mais perigosas, exceptuando a mamba negra ou um terramoto. A coragem mandaria ir buscar Marco Silva: diminuir a distância para o medo original, a saber, a saída de Jesus. Com o complemento  de colocar uma pressão brutal sobre nossos vizinhos.
Infelizmente, Vieira, se ainda o pensou ( e sei que o fez), acabará por tremer: vai colocar  quilómetros entre o medo  original ( a saída de JJ) e a sua pele.



* O meu caríssimo João Távora  comentava assim, a 20 de Maio,  a minha previsão de JJ no Sporting:
"De resto percebo o prisma da tua análise: se tal absurdo de consumasse, o Sporting ficava com tudo o que é mau e o Benfica com as vantagens".

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Da série "O som e a fúria"

"For me, forensic engagement restricts the poem to the exam hall, where it will soon be forgotten. It is memory that takes a poem outside and into the world. The poem then exists in the street, on the bus, in the pause between stations. I don´t want poetry to be a political battleground. I just want people, of any age, to remeber the stuff, for no better reason than it´s wonderful. Because it expresses the essence of what it means to be human - and life would be empty without it. If the poem is never known by heart, it stays on the page, little more than a crossword puzzle, a plaything of clever cleverness and never personally meaningful. It can never spontaneously arise at the right moment to provide comfort, solace, wisdom. It can never provide joy."

C.P. Nield, "Learn it by heart for the sake of civilisation", in Standpoint, May 2015

Merecemos melhor

Dizia o George Bernard Shaw que a democracia é a melhor garantia de sermos governados como merecemos. Um aforismo tipicamente shawiano, não sei se emitido antes ou depois da sua visita à União Soviética, que se assemelha à vox populi segundo a qual cada povo tem os políticos que merece. Veio-me isto à memória por causa de uma crónica do Douglas Murray, na véspera das últimas eleições britânicas (Spectator, 6/5/15), em que ele negava com veemência a sabedoria cínica da frase. Não para dizer que os políticos são melhores que os eleitores, afinal, mas para dizer o contrário. Olhando para o vazio das campanhas de Cameron e Miliband, o cronista concluía que os súbditos de sua Majestade são em geral bem melhores  que os seus MPs.
Não sei o que ele diria de Portugal, se fizesse o mesmo exercício. Seremos nós, os Silvas e Picoitos deste país, melhores que Passos, Portas e Costa? Ou Sócrates e Relvas? Ou até Duarte Lima, Armando Vara e Isaltino de Morais?
Modéstia à parte, diria que sim. E parece-me que a maioria dos portugueses também. O que ajuda a perceber o famoso distanciamento entre eleitores e políticos, ou a aparição de fenómenos populistas como Marinho Pinto e Sampaio da Nóvoa. Talvez a causa da lamentada abstenção esteja aqui e não no sistema eleitoral, na vacuidade dos programas partidários ou no fim das ideologias. Como quase sempre, o problema é de pessoas. A reforma mais urgente da política é a reforma dos políticos. Merecemos melhor.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Marco Silva no Benfica: com justa causa

Agora é tarde, Gabriel

Quando entregámos um campeonato à sexta jornada com o Roberto, porque o Jesus não deu o braço  a torcer, onde estavas tu?
Quando entregámos outro com o Emerson, onde estavas tu?
Quando íamos fazer do Melgarejo um novo Coentrão, onde estavas tu?
Quando enxotámos o Bernardo  Silva e o Cancelo, porque o "ego" do  Jesus só  queria jogadores descobertos por ele, onde estavas tu?
Quando todos os  anos  o  Jesus  fazia  a rábula de ser  desejado no FCP  e engordava a conta bancária, onde estavas tu?

Boa sorte para o Jesus e umas intermináveis  férias para ti.

Ponto de ordem estóico-epicurista

No Depressão Colectiva.

Mudança de "paradigma": lesados do BES, todos a Alvalade

Vocês agora vão passar a manifestar-se em Alvalade, onde o dr Ricciardi e o eng Álvaro Sobrinho enfiam dinheiro  às toneladas.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Spin da Reboleira: " o povo benfiquista está em choque"


Eu por acaso estou. Tão excitado que adiantei  a mesada à  minha mais  nova  e combinei levar o mais velho a ver o Chick Corea e o Herbie Hancock  no  EDP Cool Jazz.
Este Santos Guerreiro ( o mesmo que previu o fiasco  absoluto da Benfica TV) é useiro e vezeiro: quando a coisa correr para o torto, vai ser  o primeiro  a atirar a pedra.
Cá estaremos,  com amostras  gratuitas de donepezilo.

PS: ao contrário do que por aí se diz, JJ e BdC  vão dar-se bem. Nos primeiros meses.