quinta-feira, 10 de setembro de 2015
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Palmira
Paulo Mendes Pinto é coordenador do Mestrado de Ciências Religiosas na Universidade Lusófona. Há dias, publicou no seu blog as fotografias de uma visita antiga a Palmira, essa jóia arqueológica da Síria que o Estado Islâmico tem vindo a destruir. Vale a pena ver. Perante a barbárie em estado puro, as palavras faltam. De acordo com as últimas notícias, alguns dos monumentos fotografados já não existem. Para alguém que dedica a sua vida profissional a estudar o passado, como eu, a destruição consciente do património é especialmente absurda. Nos últimos meses, tenho tentado escrever qualquer coisa sobre este crime contra a civilização e não consigo. Fiquem com as imagens e pensem, por momentos, nos homens que ergueram aquelas pedras em nome de um futuro que não sabiam tão desumano. Nem as pedras sobrevivem ao ódio. Só a nossa memória.
Et tu Brutus?
O PAF passou à frente do PS nas sondagens. Confesso a minha surpresa. Nunca pensei que o apoio de Sócrates a Costa tivesse efeitos tão imediatos.
Voto inconsciente ( 2)
Estas sondagens impressionam-me pouco. Salvo incomodar a trupe socrática ( a do partido e a dos comentadores), e a comandita raivosa com a apatia do povoléu, que defenestrou Seguro com a canalha justificação de que ganhar por pouco não era para eles, Meternnichs de proveta.
Com 20 % de indecisos e uma amostra restrita a telefones fixos, isto é mais propaganda ( legítima) do que outra coisa. Os politólogos lá saberão dos indecisos em sede de teoria política, a mim interessa-me um indeciso em particular: este, o português destes dias.
Com 20 % de indecisos e uma amostra restrita a telefones fixos, isto é mais propaganda ( legítima) do que outra coisa. Os politólogos lá saberão dos indecisos em sede de teoria política, a mim interessa-me um indeciso em particular: este, o português destes dias.
Um indeciso nem sempre é indeciso. Melhor: pode ser uma espécie de indeciso, pois pré-decidiu que não quer , ou não consegue, decidir. Este estado emocional pode prolongar-se para lá do razoável: neste caso, do dia das eleições. O verdadeiro indeciso é o que quer ambas as alternativas ( carne e peixe) mas não consegue escolher.
O indeciso português, o de hoje, queria o PS mas com a segurança da coligação. Ou seja, peixe-bife.
Voto inconsciente ( 1)
Interessam-me muito esta eleições porque o elemento decisivo será psicológico. Não há programas nem promessas que contem e nenhum dos principais candidatos a líder tem especial carisma. O que está em jogo é uma operação psicológica e temporal: não repetir o passado.
Uma sociedade que se organiza em torno de uma proibição pode tornar-se quase primitiva. As características-lâmina são margens estreitas que durante uma crise pública separam fases mais ou menos estáveis do drama social. Na fase final existe uma reintegração do que deu origem ao cisma. Ora, é curioso notar que o pedido de resgate e programa austeritário subsequente formam um módulo que a coligação tem usado melhor do que o PS:
A coligação exibe a redenção pelo violar da regra sagrada: sobrevivemos apesar de. O PS tenta prolongar o estatuto de drama social e crise pública, tentando assim, compreensivelmente, compensar as consequências.
terça-feira, 8 de setembro de 2015
A sagrada família*
Há uma coisa que me choca profundamente na fotografia de Joana Amaral Dias que hoje ornamenta todas as casas portuguesas, com certeza: o conservadorismo. A apologia do preconceito. O charme discreto da reacção.
Reparem bem.
A fotografia representa uma mulher grávida e um homem. Ou seja, uma família heterossexual à espera de uma criança. É uma ode à heteronormatividade como forma de organização dos afectos. E os gays? Não existem? Não têm direitos? Não podem ter filhos? Foi para isto que lutámos pela adopção por casais do mesmo sexo? E as mães solteiras? Também precisam de um macho? Não via nada de tão discriminatório desde a ida de Marinho Pinto ao Prós e Contras. Esta malta de direita é assim: muita conversa sobre tolerância, mas na hora da verdade é gajo com gaja a fazer meninos. Para sempre.
Como se não bastasse, a criança foi aparentemente concebida pelo método tradicional. Andámos nós a lutar pela fecundação in vitro, essa conquista de Abril, e temos agora que gramar com um apelo descarado ao moralismo cristão. Crescei e multiplicai-vos, lá dizia o Salazar. Para já não falar na tentativa implícita de limitar a criatividade sexual. Como se sabe, podemos ter muitas posições na matéria, mas a procriação só admite uma. Eles querem é acabar com a imaginação ao poder.
E o braço dele à volta da cintura dela? Eis a mensagem: "querida, eu protejo-te". Ou então: "querida, aqui mando eu". Ou as duas. Como se a mulher, coitadinha, estivesse a pedir humildemente a defesa do senhor seu marido contra os perigos do mundo, as tentações do pecado, o facto inconfessável de ter um sexo. Ah, os estereótipos patriarcais sempre à espreita (salvo seja)... Puro machismo. Ao menos a Demi Moore apareceu sem o Bruce Willis (acho que era o Bruce Willis).Será que uma mulher não pode estar grávida sem umas calças por perto? E porque é que ele está de calças? Também nos deixaremos alienar por essa convenção pequeno-burguesa?
Em suma, aquilo é a sagrada família em todo o seu esplendor. Parece um presépio. Com uns anjinhos, até serve de cartão de Natal.
*Com a devida vénia aos camaradas Marx e Engels.
Reparem bem.
A fotografia representa uma mulher grávida e um homem. Ou seja, uma família heterossexual à espera de uma criança. É uma ode à heteronormatividade como forma de organização dos afectos. E os gays? Não existem? Não têm direitos? Não podem ter filhos? Foi para isto que lutámos pela adopção por casais do mesmo sexo? E as mães solteiras? Também precisam de um macho? Não via nada de tão discriminatório desde a ida de Marinho Pinto ao Prós e Contras. Esta malta de direita é assim: muita conversa sobre tolerância, mas na hora da verdade é gajo com gaja a fazer meninos. Para sempre.
Como se não bastasse, a criança foi aparentemente concebida pelo método tradicional. Andámos nós a lutar pela fecundação in vitro, essa conquista de Abril, e temos agora que gramar com um apelo descarado ao moralismo cristão. Crescei e multiplicai-vos, lá dizia o Salazar. Para já não falar na tentativa implícita de limitar a criatividade sexual. Como se sabe, podemos ter muitas posições na matéria, mas a procriação só admite uma. Eles querem é acabar com a imaginação ao poder.
E o braço dele à volta da cintura dela? Eis a mensagem: "querida, eu protejo-te". Ou então: "querida, aqui mando eu". Ou as duas. Como se a mulher, coitadinha, estivesse a pedir humildemente a defesa do senhor seu marido contra os perigos do mundo, as tentações do pecado, o facto inconfessável de ter um sexo. Ah, os estereótipos patriarcais sempre à espreita (salvo seja)... Puro machismo. Ao menos a Demi Moore apareceu sem o Bruce Willis (acho que era o Bruce Willis).Será que uma mulher não pode estar grávida sem umas calças por perto? E porque é que ele está de calças? Também nos deixaremos alienar por essa convenção pequeno-burguesa?
Em suma, aquilo é a sagrada família em todo o seu esplendor. Parece um presépio. Com uns anjinhos, até serve de cartão de Natal.
*Com a devida vénia aos camaradas Marx e Engels.
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Futebol & eleições
Do centro do PS para a esquerda a ideia é unânime: não existe democracia em Portugal. Para os moderados, a democracia está refém do capital; para os outros, as amplas liberdades democráticas ( o único jargão de Cunhal que Pacheco Pereira ainda não recuperou) só são respeitadas em Angola, Cuba e Coreia do Norte. Posto isto, há eleições.
A novidade velha deste ano é o futebol. O ópio do povo vai distrair o povoléu embrutecido. Nunca é demais realçar o desdém desta gente pelos que dizem defender. É velho, mas às vezes leva troco:
Mário Campos*
recorda a Assembleia Magna da Academia que no Verão de 74 decide a extinção da secção de futebol da Associação Académica de Coimbra, como
tendo decorrido num ambiente terrível. A
tese dos 400 magnos era, como é bom de ver , a da alienação:”tu, que durante
todos estes anos apenas te podias reunir com os amigos ao domingo, no futebol, és um alienado / todos os que em
todo o mundo, capitalista ou socialista gostam de futebol, são alienados”.
Acrescia a esta verdade intemporal uma outra, a da corrupção do ideal amador
pelo mundo sujo do profissionalismo.
Para os registos fica
a reacção das gentes de Coimbra, do
anónimo a Mota Pinto e Antonio Portugal, que vencem a indiferença do então Secretário de Estado dos Desportos, Avelã
Nunes (marxista da Faculdade de Direito) e o parecer do Conselho de Jurisdição
da Federação Portuguesa de Futebol, onde, entre quatro insignes conselheiros ,
figurava o versátil Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.
O que estava em causa era conseguir, através
da mudança de nome de Académica para Clube Académico de Coimbra, a manutenção
dos direitos desportivos do clube,
sobretudo o direito a disputar o campeonato nacional da primeira divisão.Vasco
Gonçalves ( é verdade!), Spínola, Rafael Durão,
tendências multicolores do MFA conspiraram para ajudar o Académico a
receber a herança desportiva da Briosa, para desespero dos estudantes revolucionários.
Assim, sob o
jugo da iluminada revolução, a 8 de
Agosto de 1974, milhares de alienados viram-se obrigados a mudar de clube …no
papel: nascia o Clube Académico de Coimbra. O que os ventos revolucionários
conseguiram foi o regresso à antiga designação de 1862(5), demonstrando ipso facto, que se pode trocar de tudo,
inclusive de mandantes, mas nunca de clube.
* in "A Académica", vários autores, Ed ASA, 1995
domingo, 6 de setembro de 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
Não me admiro nada
E se lhe apetecesse levava o Paulinho Santos. E para o Barcelona ( em sonhos...) levava o Figo.
Deus o guarde muitos e bons anos lá onde está agora.
Deus o guarde muitos e bons anos lá onde está agora.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
Só
Sócrates está, desde hoje, em prisão domiciliária. Aguardo as declarações dos socialistas a dizer que o juiz Carlos Alexandre só quis ofuscar as últimas sondagens. Ou que o Governo só pretende desviar as atenções da crise dos refugiados. Ou que o Cavaco só fez isto para prejudicar o Costa. Como é que era? Isto só agora começou...
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