quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Un certain regard

Se o PàF vencer  dia 4, existirão dois  derrotados: um sistema e uma ideia.

1) O sistema mediático
Assente  na  produção universitária de inspiração marxista e pós-marxista (zizeckiana), cujos agentes, de forma esmagadora  concentrados em Lisboa,  e jovens,  reproduzem  a ideia da esquerda cultural. Este sistema foi o mesmo que ampliou  as invectivas de fascista  a Augusto Santos Silva e autoritária salazarenta a Maria de Lurdes Rodrigues  no consulado de Sócrates ( na educação) e de neoliberal a Correia de Campos. 
Será um sistema derrotado porque fez tudo o que podia para que o PàF não vencesse. Bravo.

2) O ódio à  pequena burguesia
Quem pagou estes anos foi essencialmente a classe média. A classe média foi sempre humilhada pela esquerda bem pensante: desde 1975 que é uma mole anlafabruta e ígnara. Do gozo com a maison do emigrante ( agora  têm muita pena deles) ao epíteto de mentalidade merceeira (entre dezenas de exemplos), este  ódio esteve sempre bem presente na matriz da esquerda bem pensante.
Pois bem, o merceeiro, a rapariguinha do shopping, o emigrante, é que foram apertados, mas fazem umas contas simples. Durante estes anos penaram enquanto  ouviram a esquerda bem pensante ( e algumas aves de arribação) apregoar o caos e a inutilidade do seu esforço. Não gostaram e não querem ser,  de novo, mulas de carga.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Previsão: uma esquerda esclerosada

Já sabemos que, mais ponto menos ponto, seja quem for que vença, as eleições de dia 4 representarão um incrível desperdício das esquerdas portuguesas  depois de quatro anos de austeridade. E há razões para isso.

1) A mistificação:

Previram a revolução e o caos, falharam. Era uma boa ideia. Por que falhou? 
 Falhou  porque quiseram pintar o ajustamento como letal para os mais fracos, mas quem o pagou  foi a classe média. Este sinceramente vosso conduz um Opel Astra, não passa fins de semana em Formentera e viu retido 40% do seu rendimento.  Durante estes anos habituei-me a ver doentes que ficaram desempregados com mais de dois anos de subsídio de desemprego. Estes não fariam a revolução. Os miúdos foram para fora sem grandes queixumes. Sobraram os velhos e os pensionistas: a verdade é que nem de perto nem de longe o aperto  deles se comparou ao da classe média. Eram pobres, continuaram pobres.

2) Um disco a  riscar desde 1975:
Em 2008:
Para a esquerda comunista e comunista-like, estamos em ataque à democracia desde 1975. Não admira que não cole, admira que não o percebam.

3) A jactância

Nem com quatro anos  de austeridade  a esquerda portuguesa abandonou o tecido feudal  e o arrivismo revista Caras. O tecido feudal é o do PCP, já vimos no ponto anterior: riscar o disco, segurar os clientes.
O arrivismo revista Caras foi estelífero durante a austeridade. Em vez de cerrar fileiras e os dentes, a esquerda de pastelaria desdobrou-se em plataformas, movimentos, frentes, alternativas. Todos são génios revolucionários no facebook, nos jornais, no twitter. Como é óbvio, sendo todos génios, os outros são todos limitados. O povo olhou para isto como se de uma açulada de podengos se tratasse.

4) o PS:

Estava no caminho para o poder quando um conjunto de intelectuais se abespinhou com os resultados das autárquicas e  europeias. A ideia era uma vassourada e Seguro só venceu. Danados com a realidade, instalaram Costa. O problema principal nem foi esse. O problema  principal foi colarem a Costa o desprezo de casta pelo esforço das pessoas. Assim, durante todos estes anos, rangeram os dentes a cada indicador positivo, a cada nova empresa ou linha de negócio. Alguns  apoios, como a ala socrática,  muitos media, Pacheco Pereira etc , foram impecáveis  no papel. A coligação agradeceu ficar sozinha a recolher louros que nem eram inteiramente seus.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Crónicas do Planeta Oval: começou o Mundial de rugby

Em Inglaterra, na sexta-feira passada. Com quatro dias de jogos, avancemos algumas observações. 
1. Os ingleses, a jogar em casa, estão confiantes de que vão repetir o triunfo de 2003 (único Mundial ganho pelo hesmisfério norte, recordo). Pela amostra do jogo de abertura com as Fiji, estão a sonhar um bocadinho alto. Os homens do Pacífico Sul nem jogaram muito, mas houve alturas (no fim da primeira parte, por exemplo) em que a sua mêlée demoliu a inglesa, para além de terem conseguido mais turnovers nos pontos de quebra do jogo aberto (tradução minha de breakdown).Tendo em conta que o jogo fechado é um dos tradicionais pontos fortes dos súbditos de Sua Majestade, o treinador Stuart Lancaster deve estar a little bit worried. Indeed. Se os fijianos tivessem um chutador de jeito e não oferecessem penalidades infantis (aquele pontapé na bola num ruck mesmo em frente aos postes...), o resultado não teria sido tão lisonjeiro para a equipa da rosa. Valeram as substituições  - mérito do Mister, reconheça-se. A troca dos pilares estabilizou a mêlée, Igglesworth esteve bem melhor do que Ben Youngs-dá-sempre-um-passo-a-mais-e-não-acerta-um-box-kick e Vunipola, ao contrário do enferrujado Ben Morgan, ganhou os metros preciosos que se pedem a um número 8. Chegará para vencer Gales e a Austrália, os seus principais adversários no "grupo da morte"? Não sei. Mas sei que, se a Inglaterra ficar pela fase de grupos, é um escândalo nacional.
2. Por falar em escândalo, a vitória do Japão sobre a África do Sul já valeu este Mundial. É mais memorável ainda do que a vitória de Tonga sobre a França em 2011. Primeiro, porque Tonga é melhor do que o Japão. Segundo, porque, no sábado, os Springboks nem estiveram mal - os orientais é que fizeram o jogo da vida deles. Não é qualquer equipa que leva quatro ensaios dos Boks e mesmo assim ganha. Os sul-africanos confirmaram o seu péssimo Quatro Nações de Agosto (último lugar e três derrotas, uma delas, first ever, com a Argentina), mas vão passar. Não tenho dúvidas e é bom que progridam na competição, para que os afrikaners não sejam todos atirados ao mar pela ala lunática do ANC. Os escoceses, próximo adversário do sol nascente, é que devem começar a fazer contas.
3. Ah, a Argentina, a Argentina... Grande jogo contra os hipersupermegafavoritos All Blacks, ontem. Determinados a defender, inteligentes a atacar, estiveram à frente do resultado até bem entrada a segunda parte. Em Twickenham, com a memória bem viva da proeza nipónica do dia anterior, pairou durante longos minutos um "e se?..." que valeu aos Pumas o impensável apoio do público inglês. Se tivessem ganho, acho que os bifes lhes ofereciam as Malvinas. Ou Gibraltar. Talvez mesmo a Escócia. Mas o banco neozelandês é de luxo. Bastou a Steve Hansen trocar Ma´a Nonu por Sonny Bill Williams, que entrou com a exclusiva missão de massacrar os centros e fixar a terceira linha dos alvicelestes, e a resistência acabou. Dois ensaios de negro nos últimos vinte minutos restauraram a ordem cósmica. Mas para quem diz que a Nova Zelândia vem jogar sem pressão porque a sua superioridade se impõe como o meridiano de Greenwich, veja-se que McCaw e Conrad Smith, dois dos mais experientes All Blacks de sempre, foram ontem amarelados por faltas nascidas do puro e simples nervosismo... Vão levar a taça, lá isso vão, mas não são kiwis contados.

A esquerda tem razões que a razão desconhece


Deixa cá ver se eu percebo.
Então o Tsipras ganha as eleições prometendo acabar com a austeridade, não só não acaba como pede novo resgate,vai outra vez a votos e volta a ganhar- e o resultado é uma grande vitória progressista?
Há qualquer coisa aqui que me escapa.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Socialista a sério


Ser socialista a sério é ser como Camus.  Não é ser cavaquista  arrasa indústrias nacionais-constrói betão  e deputado europeu num dia  e revolucionário no outro; e vice versa . 
Este conjunto de crónicas sobre a Kabylie, que começa em 1935 e vai até meados de 50, pode ser lido como se de um projecto político para  Portugal se tratasse. Os baixos salários, a falta de instrução,  o défice de produção, a má gestão da coisa pública, as esmolas da metrópole.
Ser socialista a sério implica um compromisso com valores e ideias mais  sólidos  do que um junco que flana ao sabor do vento. Ou, pelo menos, mais sólidos do que a simples vaidade.

La cucaracha

"Quanto e que o I lhe pagou para dizer que nao estava a fazer um bico ao outro? Esta a custar-vos engolir o crescimento da CDU e do Bloco de Esquerda, e isso nota-se pelo vosso desespero. TRAFULHAS DE MERDA"

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Here we go again

Espero que o PS não se mostre muito entusiasmado com o Labour e a vitória de Jeremy Corbyn. É que o Syriza de Tsipras, o tal que dava força para seguir o mesmo caminho, acabou como se viu.

Salmões e correntes

No Depressão Colectiva.

Futebol mágico e futebol de rosca


Estou possesso. O Sporting de JJ marca golos fabulosos e faz-me ter saudades. Os penalties são espectaculares: a forma como a bola entra no canto vazio da baliza é de nota artística. E o que dizer das tabelas? As bolas batem nos defesas e entram , enlouquecidas, nas redes  conquistadas. E o fair play de dar frisson ao jogo,  deixando o adversário atacar? De chupeta, como diria o Eça.

Já o meu Benfica, enfim, uma tristeza saloia do saloio Rui Derrota.  Poucos golos, e  banais, oferecidos pelas defesas que adormecem no pedaço, um futebol pegajoso e bocejante. Enfim, é aguentar.