quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Mais um prego no caixão

Das viúvas de JJ. Ou talvez não. O Atlético de Madrid é uma equipa macia, defende mal, enfim, vamos ver no que isto dá.

Dia 4 : psico-explicação técnica possível

Aviso: a minha previsão é um empate, que, na prática, é uma derrota para os tremendistas.

A meio desta legislatura os media de serviço e as esquerdas  abandonaram a ideia do levantamento popular, da espiral recessiva  e do segundo resgate ( Maria Flor Perdoso está nesta altura, sem se rir, na Antena 1 a dizer que isso era ideia do... PSD). Até essa altura, cenários  apocalípticos eram razoávelmente assimilados pelas pessoas. A situação era nova, por isso todos as fichas   eram admisssíveis. O problema foi depois.

Nos últimos dois anos, os cenários apocalípticos não se verificaram. Isto devia ter feito os media e as esquerdas parar  para pensar ( O Pedro Magalhães tem falado nisto). Por exemplo, pensar no que estava  a acontecer. Optaram por outra via.  Na boa tradição  agit prop, passaram a pintar todos o sindicadores positivos como falsos, continuaram  a martelar o caos, a desgraça, o horror. Aqui a porca torce o rabo.

É letal, em democracia ( em Cuba ou na Coreia não faz mal), negar a realidade porque induz desconfiança  nos  eleitores. Na vida privada também: não consigo fazer passar 200 sms de uma tipa com fotos elucidativas e palavras doces por um assunto de trabalho. Mas há pior.
A insistência em descrever tudo como péssimo pior que mau ( autoria de  um comentador futebolístico), por estupidez, raiva ou pura vaidade, criou nas pessoas  não só uma sensação  de dessensibilização  sistemática ( usamos isso  no tratamento  das neuroses obsessivo-compulsivas) como um efeito perverso: as pessoas passaram a associar a desgraça  a quem dela tanto fala. Abyssus abyssum invocat...

MFL 2009- PàF 2015

O meu voto no PàF é igual ao meu voto em Manuela Ferreira Leite  em 2009. Em 2011 votei PCP , na altura disse-o nos blogues e fui gozado, porque entendi que era necessário reforçar  um partido capaz de proteger os mais fracos nos tempos que se avizinhavam. O voto não é futebol, nunca entenderei quem pertence a um partido como se pertence ao Benfica.
Tal como em 2009, estamos numa situação de pré-crise. 

1) Não quero promessas , destinos salvíficos, projectos para o país.  Quero a cicatrização do resgate e a convalescença de sectores como a saúde pública. O Estado não pode obrigar radiologistas a escolher a Guarda para viver, mas deve assegurar que se pode viver na Guarda.

2) Quero uma mudança lenta e compassada da dependência que temos do Estado, valendo isso tanto para os cidadãos como para as superestruturas vulturinas do mundo privado, que  vivem à mesa do OGE. Se a coligação vencer e se esquecer deste segudo ponto,  cá estarei na primeira fila da minha condição de anónimo blogger a morder-lhe as canelas.

3) Tal como em 2009, o sistema mediático tem um preferido. Em 2009 MFL era uma velha homofóbica e fascista  ( queria suspender a democracia),  agora a coligação come crianças ao pequeno-almoço.  Por falar em crianças, o sistema mediático que amplia qualquer notícia de um miúdo que ficou sem o pequeno-almoço , esquece-se de dar notícias destas. Derrotar este poder não eleito é essencial.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Os outros fazem-nos melhores

Mrozek, anti-Freud, no Depressão Colectiva.

Art & design

SIC-N e TVi  acrescentam aos vídeos em que nas acções do PàF há sempre um tipo a insultar Portas e/ou Passos ( na ausência da horda famélica que ia assassinar os homens  é o que pode arranjar)  a sua linguagem da campanha:

PàF: :  Amacia, Foge, Contradiz-se, Esquece-se, Ignora, Irrevogável, Amnésia

PS:  Conquista, Motiva, Promete, Enfrenta, Luta, Decide, Aposta.

Bloco:  (como o PS mas em orgasmo total)

PCP:  ( como o PàF, mas com menos azedume)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Alô PS, daqui Terra

Depois do debate na televisão entre Passos e Costa, escrevi que a vitória do líder do PS não tinha sido decisiva, apesar da euforia nas hostes. As sondagens aí estão para provar a evidência. Costa não convenceu quem ainda não estivesse convencido. Ele bem tentou, mas a realidade não deixa. E a realidade, como já aqui tem dito o Dr. Vicente, é que muita gente não compra a narrativa socialista da tragédia. A recuperação económica é um facto (tímido, mas um facto) e Sócrates, com as suas aparições ultramediáticas, tem-se encarregado de lembrar aos mais distraídos que o buraco em que estamos podia ser bem maior. Chegará para a vitória do PAF-Pim-Pam-Pum? Veremos. Mas, até lá, o PS devia voltar à Terra. Não sei é se ainda vai a tempo.

O tempo

Não cura nada: no Depressão Colectiva.

sábado, 26 de setembro de 2015

Odisseia na linha azul

Volto a casa ao fim do dia, como Ulisses. Gosto de pensar que a guerra está ganha, que os anos de combate e exílio foram vencidos sob as muralhas de Tróia e nos abismos do mar, mas nunca se sabe. Amanhã é outra ilíada. Quem será Helena? Quem será Aquiles? E Heitor "domador de cavalos"?
A meia hora de chegar, salto para o Metro, a minha jangada de Calipso. Encontro Polifemo, que pede esmola na linha azul. Aquela é Circe, a feiticeira: transforma os homens em porcos. Nausícaa vai jantar fora com as amigas, sem saber que, a alguns metros, morro de cansaço.
Chego, enfim, a Ítaca. Penélope está a tecer arroz com ervilhas e manda-me dar banho aos pretendentes. Espera... Aos pretendentes? Sim, desarrumaram tudo. E, a seguir, põe-nos a fazer os trabalhos. Não há tempo, têm que ir para a cama. Há tempo, sim - chegasses mais cedo. Sabes perfeitamente que tive de livrar-me das sereias. Lá vens tu com as tuas histórias... Ora, o que seria da vida sem histórias?

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Crónicas do Planeta Oval: Atenção à Argentina

Das equipas que já vi jogar no Mundial, a que me impressionou mais foi a Argentina. Depois de um valente susto aos All Blacks, hoje venceram a Geórgia por 54-9 e sete ensaios. Os Georgianos são um osso duro de roer. Tesos, com um pack sólido, muitos avançados a jogar em França e um dos melhores 8s do mundo (Mamuka Gorgodze, campeão europeu de clubes pelo Toulon), assentam o seu jogo no pick and go à moda antiga e numa belíssima mêlée. Num dia bom, o seu estilo unidimensional pode causar problemas a qualquer adversário. Mas hoje não era decididamente um dia bom e os Pumas mereceram a vitória. Destaque para os dois grandes ensaios de Gonzalo Cordero, o jovem ponta que vêm lá em cima e que já tinha deixado excelente impressão contra a Nova Zelândia. Para já, é a revelação do torneio. Só improváveis desaires com Tonga e a Namíbia separam os Pumas dos quartos de final. A partir daí, o céu é o limite. Não me espantaria se repetissem o terceiro lugar de 2007.
Entretanto, o Japão, depois da vitória histórica sobre a África do Sul, caiu com algum estrondo aos pés da Escócia. Muito cansaço, talvez, porque os montanheiros ainda deixam muito a desejar. Mas não é impunemente que se vence os Springboks e a batalha de Domingo deixou marcas nos nipónicos. O África do Sul-Samoa, já amanhã, vai ser decisivo para definir o grupo.
Também amanhã, aí está um dramático Inglaterra-Gales em perspectiva, primeiro choque de titãs deste Mundial. Nem Ingleses nem Galeses convenceram nas vitórias respectivas sobre as Fiji e o Uruguai, apesar dos triunfos folgados. Com a Austrália aparentemente em melhor forma e moral graças ao triunfo no recente Quatro Nações, embora em terceiro lugar no grupo porque não teve o bónus ofensivo dos adversários directos, quem vencer este clássico fica às portas do apuramento. Os bifes, prevendo dificuldades, vão alinhar com os seus três-quartos de combate: Owen Farrell, Brad Barritt e Sam Burgess. Lesão de Jonathan Joseph, um centro de veludo, oblige. Não vai ser bonito de se ver, mas ninguém os pode acusar de falta de pragmatismo. Nunca. Twickenham até vai ferver.

Dia 4 explicado por Correia de Campos, Pacheco Pereira e Fernada Cancio:

1) Se o PàF ganhar:
O povo é estúpido
A campanha é uma mentira
Não há democracia

2) Se o PS ganhar:
O povo é inteligente
A verdade é como azeite
A democracia  venceu

Ou seja, categorias como a capacidade intelectual do povo,  o acto eleitoral e a democracia  dependem de 1%. 
Nada de novo debaixo do sol.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Un certain regard

Se o PàF vencer  dia 4, existirão dois  derrotados: um sistema e uma ideia.

1) O sistema mediático
Assente  na  produção universitária de inspiração marxista e pós-marxista (zizeckiana), cujos agentes, de forma esmagadora  concentrados em Lisboa,  e jovens,  reproduzem  a ideia da esquerda cultural. Este sistema foi o mesmo que ampliou  as invectivas de fascista  a Augusto Santos Silva e autoritária salazarenta a Maria de Lurdes Rodrigues  no consulado de Sócrates ( na educação) e de neoliberal a Correia de Campos. 
Será um sistema derrotado porque fez tudo o que podia para que o PàF não vencesse. Bravo.

2) O ódio à  pequena burguesia
Quem pagou estes anos foi essencialmente a classe média. A classe média foi sempre humilhada pela esquerda bem pensante: desde 1975 que é uma mole anlafabruta e ígnara. Do gozo com a maison do emigrante ( agora  têm muita pena deles) ao epíteto de mentalidade merceeira (entre dezenas de exemplos), este  ódio esteve sempre bem presente na matriz da esquerda bem pensante.
Pois bem, o merceeiro, a rapariguinha do shopping, o emigrante, é que foram apertados, mas fazem umas contas simples. Durante estes anos penaram enquanto  ouviram a esquerda bem pensante ( e algumas aves de arribação) apregoar o caos e a inutilidade do seu esforço. Não gostaram e não querem ser,  de novo, mulas de carga.