sábado, 10 de outubro de 2015

Contra o tremendismo: de esquerda e de direita


Não se trata de imbecil ilusão de meio termo, antes de uma constatação: o tremendismo não tem cor. 

1) Durante  quatro anos  assistimos ao tremendismo que  redundou na vitória da coligação. Gente inteligente persistia em ver o caos, em prever o caos, os media ajudavam à festa. Entre  ódios velhos, vaidade pessoal e, também,  alguma estupidez, o cenário  foi  esse. 
Era como se nunca tivesse havido fome no país, como se antes de 2011 os velhos  aldeões tivessem reformas dignas. Era como se  o país  não tivesse sido resgatado e o governo fosse o Belzebu fanático neoliberal. Éramos a Grécia,  mas depois a Grécia - e as filas no multibanco -  ajudou a destrinçar o problema de identidade.

2) Agora o tremendismo virou à direita ( curioso que muitos pedantes que juravam esta dicotomia ultrapassada andam agora com ela na boca). O argumento é o de que  um governo  com Bloco e PCP destruiria o país. Ainda que seja uma miragem, convém pôr o tremendismo  na ordem.
 No caso de, finalmente, a extrema esquerda e esquerda real assumirem o poder, nenhum fantasma chavista se assoará aos cortinados como prova o caso grego. Quando Portugal iniciou o processo de  adesão à UE ( então CEE) , dizia-se no PCP que "pelo menos isso garante que não haverá nenhum Pinochet".
Por inovadora que fosse essa solução governativa, não seria antidemocrática e isso, para um velho liberal, basta. Os resultados, confesso, seriam refrescantes...



Dia mundial da saúde mental

Notas vadias no Depressão Colectiva.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Crónicas do planeta oval: Mundial de rugby, o que já vimos e o que veremos

Tenho escrito pouco sobre o Mundial de rugby e é pena, porque tem sido óptimo. Além da vitória do Japão sobre a África do Sul, toda a gente rejubilou com a eliminação da anfitriã Inglaterra. Toda a gente menos os bifes, claro, que perderam a fleuma com a excentricidade de a equipa organizadora não passar a fase de grupos pela primeira vez na história. Mas as derrotas com Gales e a Austrália foram justíssimas, o que não será bem uma surpresa se nos lembrarmos que, nos últimos Seis Nações, os da rosa ganharam o péssimo hábito de ficar em segundo. Perderam para a Irlanda este ano e no ano passado, perderam para Gales em 2013. E há coisas em que só podem queixar-se de si próprios. Não me refiro à ideia peregrina de optar por um dúbio pontapé para alinhamento nos derradeiros segundos da batalha com os galeses, em vez tentar os três pontos da penalidade que garantiriam o empate, imitação nipónica que tem valido ao capitão Robshaw o linchamento mediático. Refiro-me às erráticas opções de Lancaster nos três-quartos: Farrel a 10, depois de ter dado essa camisola a Ford durante quase um ano; Burgess a centro, quando o homem só sabe defender; Brad Barritt a 13, um desperdício perigoso; Jonathan Joseph a ponta, um desperdício inofensivo. Olhe para os cangurus, sir: deixaram o trabalho pesado para Pocock e Hooper, que fizeram os bifes em picadinho, e libertaram os pesos-pluma Foley e Gitteau para a extravagante tarefa de pensar o jogo. (Sim, consta que nos antípodas há uns bárbaros que fazem isso.) Resultado: três ensaios e bye bye England, com o supremo acinte de o segundo de Foley ser de uma simplicidade genial - e, na minha modesta opinião, candidato a ensaio da prova.
Quanto os outros, confirma-se que os Pumas estão a praticar um rugby de alta voltagem. Rápidos, criativos, incansáveis a defender, jogam em profundidade, ocupam o campo todo, garantem sempre o apoio e mantêm a bola viva. Em suma, fazem tudo, e muito bem, o que faltou à Velha Albion. Vão longe. A vitória sobre Tonga, mais difícil do que os números sugerem, foi um hino ao rugby de movimento. Veja-se o segundo ensaio, que nasce de uma arrancada magnífica, quase na área de 22, de Santiago Cordero (revelação do torneio, por agora, e outra prova viva de que o tamanho nem sempre conta) e acaba do outro lado, com vários jogadores em posição de marcar. Ou o que resulta de um alinhamento captado pelo terceira-linha Juan Fernandez Loebe, na zona de acção do pilar, e é concluído, com um único passe, pelo talonador que tinha introduzido a bola. São jogadas só possíveis com executantes de grande qualidade e bem treinados - ainda por cima por um mister que já passou por Portugal, Daniel Hourcade de sua graça.
A Nova Zelândia está apurada, como se previa, mas sem entusiasmar. Ou muito me engano, ou será assim até levarem a taça. A menos que sofram uma derrota épica às mãos dos Wallabies, os únicos dignos da proeza. Nem a Irlanda, a mais forte candidata do hemisfério norte, parece estar ao mesmo nível. Claro que há a França, a tradicional bête noire dos neozelandeses, mas esta não é a irredutível Gália de 99. E a África do Sul? Depois do tsunami, prossegue em velocidade cruzeiro. Bateu a Escócia em toda linha, embora o marcador seja mais que lisonjeiro para os homens do cardo, e esmagou os Estados Unidos por 64-0. Jogo sem história, não fosse Bryan Habana ter conseguido um hat trick que lhe permitiu igualar o lendário record de quinze ensaios de Lomu em Mundiais. Como os Springboks ainda têm dois ou três jogos pela frente (prevejo a eliminação lá para as meias-finais), só por azar é que o veterano do Toulon não chegará à glória de ser o homem que mais vezes pousou a oval na área de validação contrária desde que o Dr. Kirk, capitão dos All Blacks, ergueu a William Webb Ellis no distante ano de 1987.

Diário de um cínico

Os ataques da Rússia na Síria têm três objectivos principais: reforçar Assad, mostrar o músculo de Putin e provocar a NATO. O mínimo que se pode dizer é que têm tido sucesso. Porquê agora? Porque, com a crise dos refugiados, o combate ao Estado Islâmico tornou-se a preocupação número um da política externa da UE e da América. O que explica o súbito acordo nuclear com o Irão, por exemplo, ou a reacção contemporizadora de Obama à invasão do espaço aéreo da Turquia pelos Migs russos. Putin vai continuar esticar a corda enquanto o deixarem. Ou os europeus e os americanos arranjam uma estratégia clara para o Médio Oriente, vontade de a pôr em prática e um mínimo de coordenação, ou a Rússia torna-se o principal player da zona. Eu, se fosse ucraniano ou israelita, teria medo.

O cepo das marradas: onde estaríamos agora se Cavaco lhes tivesse feito a vontade?

Típico  da ditadura moral de esquerda em que vivemos desde 1975  ( e  ainda bem, porque é só moral) é o achincalhamento de Cavaco. Como não podem prender o povo nem as empresas de sondagens, viram-se para onde calha. 
Não esquecer que foi acusado milhares de vezes de bandalho porque não demitia o governo. Os patriotas do PCP, UDP, PSR e os activistas LGBT ( que não perdoam a Cavaco) enfiam agora a viola no saco. Lançava-se o país  na confusão para a coligação ganhar de novo, como ganhou no dia 4. 
Se isto é o tal patriotismo, então sou um orgulhoso traidor à Pátria.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

De pé, ó vítimas da fome...

Este país só se cura quando importarmos cortiça.
Eu sei que não vai  acontecer, mas o sonho comanda a vida...

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Cada vez melhor

Belisquem-me, que eu não posso acreditar: o PS que pedia a maioria absoluta há uma semana é o mesmo que não vai apoiar nenhum dos candidatos às presidenciais? Querem que o Marcelo seja eleito à primeira volta, é isso?

O rei na barriga, variação da choldra:

"Ora, este fracasso marcou igualmente o fim de qualquer sonho desse tipo, pelo menos num futuro próximo, num país onde "esquerda" e "direita" deixaram de ter qualquer significado, são meros chavões e rótulos vazios de conteúdo. Pior, deixou bem claro que ideias bem formuladas, propostas inovadoras, projetos participativos e apelo aos valores da cidadania não ganham eleições em Portugal. Nada que surpreenda num país com 4 milhões de abstencionistas. Nada que surpreenda num país onde a PàF venceu as eleições".

Algumas notas que se impõem

1. Se a PAF não ganhou as eleições, como consta por aí, não há qualquer dúvida de que o PS as perdeu. Costa conseguiu o impossível: ser derrotado por Passos-Tecnoforma, Portas-o-irrevogável, quatro anos de austeridade, as maiores manifestações desde o 25 de Abril, um aumento de impostos "brutal" e o desemprego que se conhece. É obra.
2. Mesmo assim, o PS não aprende. Costa perde o que nem o rato Mickey perdia, e a claque aplaude. O quê? Que "manifestamente" não se demita. Que esteja pronto para lançar o país no caos se não fizerem o que ele quer. E que diga tudo isto com aquele sorrisinho de superioridade que distingue um socialista de um mortal.
3. O voto de protesto foi direitinho para o Bloco, que duplicou o resultado. São más notícias para um país em convalescença económica e em equilibrismo político. Os tempos exigem sentido da realidade, coisa que não abunda por aqueles bandas. De qualquer modo, é um voto flutuante. Não me parece que vá durar até às próximas eleições.
4. Claro que há o lado bom: agora, temos as duas gémeas Mortágua no Parlamento. Se a segunda for como a primeira, os capitalistas que se cuidem.
5. O meu amigo Miguel Morgado também foi eleito. É um lado ainda melhor.
6. A abstenção foi o partido mais votado. Os políticos que se cuidem.
7. É muito mau que Sócrates e os seus advogados não se tenham ouvido durante a campanha. Mau para a democracia portuguesa. Bastava um comunicado do Dr. João Araújo e a coligação chegava à maioria absoluta.

A teoria

Das maiorias ideológicas na AR é à vontade dos camaradas, não é?

Preguiça, vaidade, enfim...

No fórum TSF está Adelino Maltez a dizer que o programa de governo vai ser uma barganha negociada às escondidas.
AM está muito aborrecido porque não há Podemos por cá. Vai daí, desqualifica  a negociação parlamentar. Como? Ah...pois, é tudo fake e nas costas do povo. Já se fosse entre um Podemos e um Ouvimos, seria às claras, no parque Eduardo VII.

Comunicar, tocar

No Depressão Colectiva.