quinta-feira, 22 de outubro de 2015
segunda-feira, 19 de outubro de 2015
A vitória do humanismo e do estado de direito
"Um mecânico da Câmara do Cartaxo, de 52 anos, condenado em 2014 por abuso sexual de crianças, começou ontem a ser novamente julgado por mais quatro crimes de que foi vítima a filha de um casal de amigos que frequentava a casa do arguido. A menor terá sido abusada várias vezes entre os 7 e os 12 anos, até contar a uma professora, em fevereiro deste ano. O arguido está em prisão preventiva desde essa altura, porque, meses antes, tinha sido condenado a 13 anos de cadeia também por abuso sexual de três irmãs de 5, 7 e 13 anos. Como interpôs recurso do acórdão lido no Tribunal do Cartaxo em junho de 2014, o predador permaneceu em liberdade, tendo continuado a abusar da vítima neste processo julgado agora no Tribunal de Santarém. Os pais da menina estão revoltados e dizem que a criança “está traumatizada”. J.N.P".
Agora calculem: o que aconteceria, nas redações das televisões, rádios e jornais, se o reincidente fosse um skin homofóbico e as vítimas homossexuais assumidos que julgavam viver num país decente?
Agora calculem: o que aconteceria, nas redações das televisões, rádios e jornais, se o reincidente fosse um skin homofóbico e as vítimas homossexuais assumidos que julgavam viver num país decente?
domingo, 18 de outubro de 2015
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
terça-feira, 13 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Vitoria é derrota, humilhação é glória
A essência do PREC foi isto. A raiva depois das eleições de Abril, para a Constituinte, que arrumaram a mole de max-len. de aviário que surgiu do nada. O povo esteve-se nas tintas para estes jactantes que confudiram a serra de Sintra com a sierra Maestra.
Agora, em 2015, o novo PREC é isto: torcer números, apagar factos, mentir como quem respira. Costa já não é o humilhado derrotado, o PàF não venceu eleições, estivemos dez anos sem democracia etc. O que este indivíduo diz não é muito diferente do que diz nas redes sociais a maralha enraivecida com o resultado de dia 4 . O que já é mais triste é não ser muito diferente do que pensam muitos pavões que ainda há pouco enchiam a boca com Sá Carneiro e Mário Soares.
sábado, 10 de outubro de 2015
Contra o tremendismo: de esquerda e de direita
Não se trata de imbecil ilusão de meio termo, antes de uma constatação: o tremendismo não tem cor.
1) Durante quatro anos assistimos ao tremendismo que redundou na vitória da coligação. Gente inteligente persistia em ver o caos, em prever o caos, os media ajudavam à festa. Entre ódios velhos, vaidade pessoal e, também, alguma estupidez, o cenário foi esse.
Era como se nunca tivesse havido fome no país, como se antes de 2011 os velhos aldeões tivessem reformas dignas. Era como se o país não tivesse sido resgatado e o governo fosse o Belzebu fanático neoliberal. Éramos a Grécia, mas depois a Grécia - e as filas no multibanco - ajudou a destrinçar o problema de identidade.
2) Agora o tremendismo virou à direita ( curioso que muitos pedantes que juravam esta dicotomia ultrapassada andam agora com ela na boca). O argumento é o de que um governo com Bloco e PCP destruiria o país. Ainda que seja uma miragem, convém pôr o tremendismo na ordem.
No caso de, finalmente, a extrema esquerda e esquerda real assumirem o poder, nenhum fantasma chavista se assoará aos cortinados como prova o caso grego. Quando Portugal iniciou o processo de adesão à UE ( então CEE) , dizia-se no PCP que "pelo menos isso garante que não haverá nenhum Pinochet".
Por inovadora que fosse essa solução governativa, não seria antidemocrática e isso, para um velho liberal, basta. Os resultados, confesso, seriam refrescantes...
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
Crónicas do planeta oval: Mundial de rugby, o que já vimos e o que veremos
Tenho escrito pouco sobre o Mundial de rugby e é pena, porque tem sido óptimo. Além da vitória do Japão sobre a África do Sul, toda a gente rejubilou com a eliminação da anfitriã Inglaterra. Toda a gente menos os bifes, claro, que perderam a fleuma com a excentricidade de a equipa organizadora não passar a fase de grupos pela primeira vez na história. Mas as derrotas com Gales e a Austrália foram justíssimas, o que não será bem uma surpresa se nos lembrarmos que, nos últimos Seis Nações, os da rosa ganharam o péssimo hábito de ficar em segundo. Perderam para a Irlanda este ano e no ano passado, perderam para Gales em 2013. E há coisas em que só podem queixar-se de si próprios. Não me refiro à ideia peregrina de optar por um dúbio pontapé para alinhamento nos derradeiros segundos da batalha com os galeses, em vez tentar os três pontos da penalidade que garantiriam o empate, imitação nipónica que tem valido ao capitão Robshaw o linchamento mediático. Refiro-me às erráticas opções de Lancaster nos três-quartos: Farrel a 10, depois de ter dado essa camisola a Ford durante quase um ano; Burgess a centro, quando o homem só sabe defender; Brad Barritt a 13, um desperdício perigoso; Jonathan Joseph a ponta, um desperdício inofensivo. Olhe para os cangurus, sir: deixaram o trabalho pesado para Pocock e Hooper, que fizeram os bifes em picadinho, e libertaram os pesos-pluma Foley e Gitteau para a extravagante tarefa de pensar o jogo. (Sim, consta que nos antípodas há uns bárbaros que fazem isso.) Resultado: três ensaios e bye bye England, com o supremo acinte de o segundo de Foley ser de uma simplicidade genial - e, na minha modesta opinião, candidato a ensaio da prova.
Quanto os outros, confirma-se que os Pumas estão a praticar um rugby de alta voltagem. Rápidos, criativos, incansáveis a defender, jogam em profundidade, ocupam o campo todo, garantem sempre o apoio e mantêm a bola viva. Em suma, fazem tudo, e muito bem, o que faltou à Velha Albion. Vão longe. A vitória sobre Tonga, mais difícil do que os números sugerem, foi um hino ao rugby de movimento. Veja-se o segundo ensaio, que nasce de uma arrancada magnífica, quase na área de 22, de Santiago Cordero (revelação do torneio, por agora, e outra prova viva de que o tamanho nem sempre conta) e acaba do outro lado, com vários jogadores em posição de marcar. Ou o que resulta de um alinhamento captado pelo terceira-linha Juan Fernandez Loebe, na zona de acção do pilar, e é concluído, com um único passe, pelo talonador que tinha introduzido a bola. São jogadas só possíveis com executantes de grande qualidade e bem treinados - ainda por cima por um mister que já passou por Portugal, Daniel Hourcade de sua graça.
A Nova Zelândia está apurada, como se previa, mas sem entusiasmar. Ou muito me engano, ou será assim até levarem a taça. A menos que sofram uma derrota épica às mãos dos Wallabies, os únicos dignos da proeza. Nem a Irlanda, a mais forte candidata do hemisfério norte, parece estar ao mesmo nível. Claro que há a França, a tradicional bête noire dos neozelandeses, mas esta não é a irredutível Gália de 99. E a África do Sul? Depois do tsunami, prossegue em velocidade cruzeiro. Bateu a Escócia em toda linha, embora o marcador seja mais que lisonjeiro para os homens do cardo, e esmagou os Estados Unidos por 64-0. Jogo sem história, não fosse Bryan Habana ter conseguido um hat trick que lhe permitiu igualar o lendário record de quinze ensaios de Lomu em Mundiais. Como os Springboks ainda têm dois ou três jogos pela frente (prevejo a eliminação lá para as meias-finais), só por azar é que o veterano do Toulon não chegará à glória de ser o homem que mais vezes pousou a oval na área de validação contrária desde que o Dr. Kirk, capitão dos All Blacks, ergueu a William Webb Ellis no distante ano de 1987.
Quanto os outros, confirma-se que os Pumas estão a praticar um rugby de alta voltagem. Rápidos, criativos, incansáveis a defender, jogam em profundidade, ocupam o campo todo, garantem sempre o apoio e mantêm a bola viva. Em suma, fazem tudo, e muito bem, o que faltou à Velha Albion. Vão longe. A vitória sobre Tonga, mais difícil do que os números sugerem, foi um hino ao rugby de movimento. Veja-se o segundo ensaio, que nasce de uma arrancada magnífica, quase na área de 22, de Santiago Cordero (revelação do torneio, por agora, e outra prova viva de que o tamanho nem sempre conta) e acaba do outro lado, com vários jogadores em posição de marcar. Ou o que resulta de um alinhamento captado pelo terceira-linha Juan Fernandez Loebe, na zona de acção do pilar, e é concluído, com um único passe, pelo talonador que tinha introduzido a bola. São jogadas só possíveis com executantes de grande qualidade e bem treinados - ainda por cima por um mister que já passou por Portugal, Daniel Hourcade de sua graça.
A Nova Zelândia está apurada, como se previa, mas sem entusiasmar. Ou muito me engano, ou será assim até levarem a taça. A menos que sofram uma derrota épica às mãos dos Wallabies, os únicos dignos da proeza. Nem a Irlanda, a mais forte candidata do hemisfério norte, parece estar ao mesmo nível. Claro que há a França, a tradicional bête noire dos neozelandeses, mas esta não é a irredutível Gália de 99. E a África do Sul? Depois do tsunami, prossegue em velocidade cruzeiro. Bateu a Escócia em toda linha, embora o marcador seja mais que lisonjeiro para os homens do cardo, e esmagou os Estados Unidos por 64-0. Jogo sem história, não fosse Bryan Habana ter conseguido um hat trick que lhe permitiu igualar o lendário record de quinze ensaios de Lomu em Mundiais. Como os Springboks ainda têm dois ou três jogos pela frente (prevejo a eliminação lá para as meias-finais), só por azar é que o veterano do Toulon não chegará à glória de ser o homem que mais vezes pousou a oval na área de validação contrária desde que o Dr. Kirk, capitão dos All Blacks, ergueu a William Webb Ellis no distante ano de 1987.
Diário de um cínico
Os ataques da Rússia na Síria têm três objectivos principais: reforçar Assad, mostrar o músculo de Putin e provocar a NATO. O mínimo que se pode dizer é que têm tido sucesso. Porquê agora? Porque, com a crise dos refugiados, o combate ao Estado Islâmico tornou-se a preocupação número um da política externa da UE e da América. O que explica o súbito acordo nuclear com o Irão, por exemplo, ou a reacção contemporizadora de Obama à invasão do espaço aéreo da Turquia pelos Migs russos. Putin vai continuar esticar a corda enquanto o deixarem. Ou os europeus e os americanos arranjam uma estratégia clara para o Médio Oriente, vontade de a pôr em prática e um mínimo de coordenação, ou a Rússia torna-se o principal player da zona. Eu, se fosse ucraniano ou israelita, teria medo.
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