quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Ópera bufa
E isto sendo que a quantidade de droga apreendida é normalmente 1/3 da droga em circulação. Por exemplo, vejam o aumento espectacular de apreensão de cocaína na primeira metade de 2015 no México: ela esteve sempre lá, como é óbvio.
Agora notem esta frenética actividade policial.
(Dúvidas e perguntas: aqui)
Agora notem esta frenética actividade policial.
(Dúvidas e perguntas: aqui)
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
O tempo
Aos 9m André Almeida faz uma excelente assistência que um lagarto aproveita para desmarcar outro. Num contínuo de esperança, Sílvio não interrompe o lateral lagarto, Luisão e Jardel estão a discutir quantos cavalos tem o novo Ferrari 488 GTB e o Temível, coitado, até se envergonharia se não assestasse uma pedrada. E o jogo acabou. O Benfica vive no tempo polissíncrono.
O tempo não é só memória. Se fosse, o que fazer com isto? Sim, tinha ganho um título antes. Sim, mas também esteve depois três anos sem ganhar nada excepto aquela taça com nome de cerveja. Por que motivo Vitória não tem tempo? Porque não temos tempo para ter memória.
terça-feira, 27 de outubro de 2015
Habemus Ministerium
A nomeação de Teresa Morais para a pasta da Cultura destina-se simplesmente a contentar a esquerda, que vê a sua velha catilinária de um ministério para o sector ser atendida. De resto, a própria onomástica do novo "Ministério da Cultura, Igualdade e Cidadania" mostra que se trata de um concentrado de wishful thinking politicamente correcto. O que até nem está mal visto. O Governo pode não durar muito, mas Passos Coelho dá um sinal de abertura a causas que tocam os corações do outro lado. Servirá de alguma coisa? Claro que não. Mas é um gesto bonito.
Apocalypse now
Os socialistas entendem-se com a extrema-esquerda, Ferro Rodrigues é a segunda figura do Estado, Sócrates diz que é um preso político, o Sporting ganha por três secos na Luz...
Cheira a napalm e já vi o fim do mundo mais longe.
Cheira a napalm e já vi o fim do mundo mais longe.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
Vidas
O JPP comissário tolerante de hoje ( http://abrupto.blogspot.pt/2015/10/amanha-de-onde-vem-tanto-mal-as-fontes.html … ) é o mesmo disto ontem :http://klepsydra.blogspot.pt/2008/02/no-h-pacheco-pereirismo-moderado.html …
domingo, 25 de outubro de 2015
Relações sintagmáticas
A propósito desta chamada de atenção feita pela Helena Matos, recordar:
"Requeriam as cartas d’El-Rei de Castela a D. Manuel, que não consentisse morarem no seu Reino tão malvada gente, a Deus e aos homens mal querida. Matéria foi esta, que El-Rei teve por mui digno ponderá-la; e achou em seu Conselho muitos, que sentiam não nos devermos descartar de um povo, que o mesmo Papa não desdenhava acolher em muitas Cidades da Igreja Romana, exemplo que muitas Cidades de Castela, que muitos Príncipes Católicos não só de Itália, mas ainda na Alemanha, e na Hungria, e em outras muitas regiões da Europa tem abraçado, concedendo aos Judeus a faculdade de ali morarem, e exercerem sua indústria. Que com lançá-los da terra, nem por isso os desvestiam da ingénita perfídia, que onde quer que os pés pusessem, deixariam pegadas de maldade: nem algum homem assisado se inquietava mais com a maldade feita antes neste sítio, que naquele. Passados os Judeus em África (o que ninguém duvidava, apenas os lançássemos do Reino), eis cortadas todas as esperanças da sua conversão. Enquanto entre Católicos, com a conversação e exemplo dos Cristãos, e acareados de seu bom ensino, muitos abordavam à Cristandade o que (uma vez entre homens eivados dos erros de Mafoma) lhe ficava desesperado. Além de ser grande desconto para a República trasladar esta gente aos Mouros o dinheiro, em que eram muitos deles opulentos, e as Artes, que de nós tomaram, e em que doutrinariam nossos inimigos, para depois com elas nos talharem grandes prejuízos".
( aqui)
"Requeriam as cartas d’El-Rei de Castela a D. Manuel, que não consentisse morarem no seu Reino tão malvada gente, a Deus e aos homens mal querida. Matéria foi esta, que El-Rei teve por mui digno ponderá-la; e achou em seu Conselho muitos, que sentiam não nos devermos descartar de um povo, que o mesmo Papa não desdenhava acolher em muitas Cidades da Igreja Romana, exemplo que muitas Cidades de Castela, que muitos Príncipes Católicos não só de Itália, mas ainda na Alemanha, e na Hungria, e em outras muitas regiões da Europa tem abraçado, concedendo aos Judeus a faculdade de ali morarem, e exercerem sua indústria. Que com lançá-los da terra, nem por isso os desvestiam da ingénita perfídia, que onde quer que os pés pusessem, deixariam pegadas de maldade: nem algum homem assisado se inquietava mais com a maldade feita antes neste sítio, que naquele. Passados os Judeus em África (o que ninguém duvidava, apenas os lançássemos do Reino), eis cortadas todas as esperanças da sua conversão. Enquanto entre Católicos, com a conversação e exemplo dos Cristãos, e acareados de seu bom ensino, muitos abordavam à Cristandade o que (uma vez entre homens eivados dos erros de Mafoma) lhe ficava desesperado. Além de ser grande desconto para a República trasladar esta gente aos Mouros o dinheiro, em que eram muitos deles opulentos, e as Artes, que de nós tomaram, e em que doutrinariam nossos inimigos, para depois com elas nos talharem grandes prejuízos".
( aqui)
sexta-feira, 23 de outubro de 2015
A vida é feita de surpresas
Caro leitor, a vida é feita de surpresas. E eu decidi, em nome do misterioso destino que nos juntou sob este tecto, partilhar a minha última descida aos insondáveis enigmas da Criação. Não é um momento fácil, devo dizer. Raramente a sólida película do mundo quotidiano se rasga assim, de alto a baixo, sob o peso do mais puro espanto. Mas aconteceu-me. Ontem. Imagina que descobri, com o precioso auxílio dos comentadores, que o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, não quer comunistas e bloquistas no Governo.
A sério.
Não quer mesmo (comentadores dixerunt).
Já imaginaste?
Sim, eu sei.
Também foi difícil para mim. O Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, anticomunista?
Ao que isto chegou... Qualquer dia temos o Cardeal-Patriarca a dizer que a homossexualidade é pecado.
Claro que 80% dos votantes nas últimas eleições também não querem comunistas e bloquistas no Governo. Claro que o PS, bem lá no fundo, comunistas e bloquistas no Governo não quer. Claro que o Bloco, já se sabe, quer um Governo sem comunistas. Claro que até o PCP, obviamente, quer um Governo sem comunistas (talvez mesmo sem bloquistas, mas isso já não garanto).
Claro que sim.
Mas por qualquer razão ainda mais misteriosa do que o misterioso destino que nos juntou sob este tecto, só o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva consegue deixar os nossos compatriotas de boca aberta quando não quer comunistas e bloquistas no Governo.
Mal refeito do abalo cósmico que assim mudou a minha vida, eu, que nunca, nem por um momento, imaginei o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a empossar um Governo que, além de não incluir comunistas e bloquistas, cometeu o supremo acinte de ganhar as eleições, regresso agora, na tua companhia, à sólida, confortável, familiar realidade e descanso dos sobressaltos recentes com a leitura do acordo entre os partidos de esquerda que levará a São Bento o Dr. António Costa, líder da segunda força política do país.
(O quê?
Ainda não há acordo?
Caro leitor, a vida é feita de surpresas.)
A sério.
Não quer mesmo (comentadores dixerunt).
Já imaginaste?
Sim, eu sei.
Também foi difícil para mim. O Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva, anticomunista?
Ao que isto chegou... Qualquer dia temos o Cardeal-Patriarca a dizer que a homossexualidade é pecado.
Claro que 80% dos votantes nas últimas eleições também não querem comunistas e bloquistas no Governo. Claro que o PS, bem lá no fundo, comunistas e bloquistas no Governo não quer. Claro que o Bloco, já se sabe, quer um Governo sem comunistas. Claro que até o PCP, obviamente, quer um Governo sem comunistas (talvez mesmo sem bloquistas, mas isso já não garanto).
Claro que sim.
Mas por qualquer razão ainda mais misteriosa do que o misterioso destino que nos juntou sob este tecto, só o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva consegue deixar os nossos compatriotas de boca aberta quando não quer comunistas e bloquistas no Governo.
Mal refeito do abalo cósmico que assim mudou a minha vida, eu, que nunca, nem por um momento, imaginei o Prof. Doutor Aníbal Cavaco Silva a empossar um Governo que, além de não incluir comunistas e bloquistas, cometeu o supremo acinte de ganhar as eleições, regresso agora, na tua companhia, à sólida, confortável, familiar realidade e descanso dos sobressaltos recentes com a leitura do acordo entre os partidos de esquerda que levará a São Bento o Dr. António Costa, líder da segunda força política do país.
(O quê?
Ainda não há acordo?
Caro leitor, a vida é feita de surpresas.)
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
Sócrates forever
Pelo que li ontem no Correio da Manhã (sim, seus hipócritas, não são só vocês...), o levantamento do segredo de justiça interno ao processo de Sócrates está a alimentar uma nova catarata de notícias sumarentas sobre a sumarenta vida do nosso ex-PM, ao ponto de os seus sumarentos advogados estarem já a pensar em sumarentas providências cautelares para impedir a devassa. Fiquei confuso. Afinal, não era o segredo de justiça a fonte de todos os males? E temem exactamente o quê?
Pensando bem
Pensando bem, talvez o processo de engenharia política em curso não deva surpreender-nos. A esquerda que tenta torcer os resultados das eleições para chegar ao poder é a mesma que, na Aula Magna, prometeu "correr com eles [o Governo anterior] à paulada". A frase foi dita às televisões por Vasco Lourenço, que derrubou uma ditadura pelas armas em 74. Implicitamente, faz equivaler a legitimidade de derrubar uma ditadura pelas armas à legitimidade de "correr à paulada" um Governo democrático. E que não tenha sido condenada pelos magnos democratas ali presentes, de Mário Soares a Pacheco Pereira, mostra como, em algumas cabeças, esta coisa de respeitar o votinho do povo é muito relativa.
Incapaz de "correr com eles à paulada", incapaz de "correr com eles" em eleições, a esquerda lança agora uma terceira via: a secretaria. Terceira via pós-moderna, pois claro, segundo a qual a prática de quase meio século da democracia portuguesa - governa o partido mais votado, mesmo sem maioria absoluta - não passa de uma conspiração da CIA e do grande capital para impedir a vitória das forças progressistas. Os herdeiros do jacobinismo e da ditadura do proletariado nunca se deram muito bem com a liberdade. Sobretudo com a liberdade dos outros.
Incapaz de "correr com eles à paulada", incapaz de "correr com eles" em eleições, a esquerda lança agora uma terceira via: a secretaria. Terceira via pós-moderna, pois claro, segundo a qual a prática de quase meio século da democracia portuguesa - governa o partido mais votado, mesmo sem maioria absoluta - não passa de uma conspiração da CIA e do grande capital para impedir a vitória das forças progressistas. Os herdeiros do jacobinismo e da ditadura do proletariado nunca se deram muito bem com a liberdade. Sobretudo com a liberdade dos outros.
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