quinta-feira, 30 de abril de 2015
Quiseram a drug war, agora fiquem com ela
Clinton:
Baltimore, via leitor amigo:
Este David Simon ainda tem muita maizena para comer até chegar aos calcanhares de E.Said, mas, no meio do exagero, acerta .
quarta-feira, 29 de abril de 2015
Asco, outra vez
Cecília Honório: "Há tantas outras coisas que podemos fazer sobre o assunto sem ser esta lista."
Então diz lá, queriducha: o que tantas outras coisas fez o Bloco ( e o resto do beau monde) durante 15 anos sobre o assunto?
Então diz lá, queriducha: o que tantas outras coisas fez o Bloco ( e o resto do beau monde) durante 15 anos sobre o assunto?
Baltimore: os mitos
O City Council é democrata, o mayor é negro, o chefe da polícia é negro e:
But if you visit a police community meeting in a black neighbourhood, as your correspondent did in the south-east of Washington, DC recently, you discover that the middle-aged, middle-class black women who attend have a different problem. They complain that the police are not doing enough to stop violent crime.
Muitos dos jovens detidos que se queixam da polícia têm um longo passado como clockers. Onde se passava The Wire ( para mim a segunda melhor série de sempre ) ? Em Baltimore.
Pois é, a bela war on the drugs tem muitas franjas.
Muitos dos jovens detidos que se queixam da polícia têm um longo passado como clockers. Onde se passava The Wire ( para mim a segunda melhor série de sempre ) ? Em Baltimore.
Pois é, a bela war on the drugs tem muitas franjas.
terça-feira, 28 de abril de 2015
Violência doméstica: o eufemismo reaccionário
O reaccionarismo conservador alia-se ao reaccionarismo de esquerda.
O primeiro ponto de contacto é o argumento: sempre houve disto, agora tem é mais visibilidade. Isto destina-se a desqualificar o comportamento, inscrevendo-o numa lógica de normalidade inevitável.
O segundo ponto de contacto prende-se com interpretação. Tanto o reaccionário conservador como o de esquerda entendem o comportamento como produto de taras individuais. O objectivo do conservador( reaccionário...) é esconder o comportamento das transformações sociais e culturais, o objectivo do esquerdista é isolá-lo dos progressos feitos em sede da tolerância ( defesa dos direitos das minorias sexuais e dos animais).
O reaccionário conservador não gosta que venha ao de cima a velha camada sob o verniz, porque estraga a liusão de harmonia dos bons velhos tempos; o reaccionário de esquerda não aceita que a nova sociedade, mais justa e igualitária, inclua o velho território de caça do macho ofendido e para além disso as parolas das berças não valem um gay despedido por homofobia.
Ambos os discursos se contentam com campanhas e palavrinhas de repúdio. O reaccionário conservador , voire a Igreja Católica, teme mexer no que sobra da autoridade masculina; o reaccionário de esquerda recusa reexaminar a bolorenta tese da sociedade criminógena, na qual a culpa é sempre da fábrica social.
Não há nada de doméstico nestas matanças. Há mulheres que têm profissão ( há três anos ajudei uma administrativa casada a ter o seu primeiro cartão multibanco aos 55 anos), consomem novelas que pregam a liberdade feminina, observam exemplos de outras mais despachadas ( vejam a velocidade com que se propagam as modas femininas), acreditam no que dizem os políticos, têm internet na mais longínqua merdaleja.
O que há é o choque tectócnico entre antigas categorias culturais, autênticos arquivos de poder, e novas expressões de autodeterminação. Como aconteceu noutras histórias e noutros tempos, os novos, neste caso, as novas, não são defendidas pela máquina judicial que ainda funciona com a encantadora formalidade das lamparinas de azeite.
Não há nada de doméstico nestas matanças. Há mulheres que têm profissão ( há três anos ajudei uma administrativa casada a ter o seu primeiro cartão multibanco aos 55 anos), consomem novelas que pregam a liberdade feminina, observam exemplos de outras mais despachadas ( vejam a velocidade com que se propagam as modas femininas), acreditam no que dizem os políticos, têm internet na mais longínqua merdaleja.
O que há é o choque tectócnico entre antigas categorias culturais, autênticos arquivos de poder, e novas expressões de autodeterminação. Como aconteceu noutras histórias e noutros tempos, os novos, neste caso, as novas, não são defendidas pela máquina judicial que ainda funciona com a encantadora formalidade das lamparinas de azeite.
Contar bulas
Foi divertido constatar a forma como os media isentos e objectivos noticiaram o anúncio da ida às urnas da coligação PSD-CDS.
Fez-me lembrar a sensação que tenho quando me injectam líquido de contraste antes de uma TAC.
Fez-me lembrar a sensação que tenho quando me injectam líquido de contraste antes de uma TAC.
Siga para bingo
Os narcotraficantes já têm toupeiras no Banco de Portugal, mas o debate , como sempre que se fala em legalizá-lo, é o do perigo do haxixe. O último Expresso trazia um artigo, miserável e indigente, que falava dos perigos do consumo excessivo do haxixe. Espero que a jornalista faça um igual com o álcool, até porque terá muito mais matéria: acidentes de viação e laborais, violencia doméstica, cirrose hepática etc.
Num país colonizado pelo narcotráfico, a preocupação é com o perigo potencial do consumo excessivo da canabis. Os narcos escolheram bem o país: para além das condições semelhantes a outras narcolândias, ainda fazemos de porteiros escrupulosos.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Maio a entrar e o nada a começar
E assim perguntar: uma investigação que dura desde 2013, o homem preso desde 2014, para quando a acusação a apresentar? Isto interessa-me muito. Encontrar o nada sabendo que o nada existe, mas que não o podemos interpretar porque o nada é anterior à representação.
Muitos pós heideggerianos, como Márcia Schubak, andaram de volta disto. Por outras palavras, in emptiness, there is no place where we can place our hands and feet, no place where we can lay our heads.
Espectacular
Tivemos, durante estes anos, dezenas de manifestos, artigos, pronunciamentos da esquerda para-socialista sobre a evidência, a inevitablidade, o materialismo dialéctico da renegociação da dívida.
Os que desconfiaram foram tratados de pacóvios e servos do governo para baixo. O PS apresenta o seu cenário, ou cortina, e nem uma palavra sobre o assunto. Os mesmos especialistas, jornalistas e comentadores que durante estes anos juraram sobre a divina renegociação nem piaram.
Denunciar
É um historiador muito criativo ( a última vez que o li foi sobre Lincoln e diverti-me imenso), mas isso não nos deve distrair das mentiras que escreve, sobretudo quando assunto é sério. Henrique Raposo, no último Expresso diz que ao menos no tempo colonial os pretos não passavam fome e recebiam cuidados médicos ( sic).
A relação de Raposo com a verdade é mais ou menos a mesma que as cartomantes têm com a metafísica ( adaptando Kraus). O que imaginará Raposo que era a vida nas sanzalas do Cuando-Cubango, ou como funcionava o trabalho escravo, é um mistério. Deve imaginar cantinas sociais e assistência médica ao domicílio. É claro que depois de começar a guerra lá se tentou fazer alguma coisa, mas isso foi só no fim.
O leitor que folheie isto, de um homem que correu Angola de uma ponta à outra e foi inspector geral das Colónias. Aproveita melhor o tempo.
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