terça-feira, 29 de setembro de 2015

Os outros fazem-nos melhores

Mrozek, anti-Freud, no Depressão Colectiva.

Art & design

SIC-N e TVi  acrescentam aos vídeos em que nas acções do PàF há sempre um tipo a insultar Portas e/ou Passos ( na ausência da horda famélica que ia assassinar os homens  é o que pode arranjar)  a sua linguagem da campanha:

PàF: :  Amacia, Foge, Contradiz-se, Esquece-se, Ignora, Irrevogável, Amnésia

PS:  Conquista, Motiva, Promete, Enfrenta, Luta, Decide, Aposta.

Bloco:  (como o PS mas em orgasmo total)

PCP:  ( como o PàF, mas com menos azedume)

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Alô PS, daqui Terra

Depois do debate na televisão entre Passos e Costa, escrevi que a vitória do líder do PS não tinha sido decisiva, apesar da euforia nas hostes. As sondagens aí estão para provar a evidência. Costa não convenceu quem ainda não estivesse convencido. Ele bem tentou, mas a realidade não deixa. E a realidade, como já aqui tem dito o Dr. Vicente, é que muita gente não compra a narrativa socialista da tragédia. A recuperação económica é um facto (tímido, mas um facto) e Sócrates, com as suas aparições ultramediáticas, tem-se encarregado de lembrar aos mais distraídos que o buraco em que estamos podia ser bem maior. Chegará para a vitória do PAF-Pim-Pam-Pum? Veremos. Mas, até lá, o PS devia voltar à Terra. Não sei é se ainda vai a tempo.

O tempo

Não cura nada: no Depressão Colectiva.

sábado, 26 de setembro de 2015

Odisseia na linha azul

Volto a casa ao fim do dia, como Ulisses. Gosto de pensar que a guerra está ganha, que os anos de combate e exílio foram vencidos sob as muralhas de Tróia e nos abismos do mar, mas nunca se sabe. Amanhã é outra ilíada. Quem será Helena? Quem será Aquiles? E Heitor "domador de cavalos"?
A meia hora de chegar, salto para o Metro, a minha jangada de Calipso. Encontro Polifemo, que pede esmola na linha azul. Aquela é Circe, a feiticeira: transforma os homens em porcos. Nausícaa vai jantar fora com as amigas, sem saber que, a alguns metros, morro de cansaço.
Chego, enfim, a Ítaca. Penélope está a tecer arroz com ervilhas e manda-me dar banho aos pretendentes. Espera... Aos pretendentes? Sim, desarrumaram tudo. E, a seguir, põe-nos a fazer os trabalhos. Não há tempo, têm que ir para a cama. Há tempo, sim - chegasses mais cedo. Sabes perfeitamente que tive de livrar-me das sereias. Lá vens tu com as tuas histórias... Ora, o que seria da vida sem histórias?

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Crónicas do Planeta Oval: Atenção à Argentina

Das equipas que já vi jogar no Mundial, a que me impressionou mais foi a Argentina. Depois de um valente susto aos All Blacks, hoje venceram a Geórgia por 54-9 e sete ensaios. Os Georgianos são um osso duro de roer. Tesos, com um pack sólido, muitos avançados a jogar em França e um dos melhores 8s do mundo (Mamuka Gorgodze, campeão europeu de clubes pelo Toulon), assentam o seu jogo no pick and go à moda antiga e numa belíssima mêlée. Num dia bom, o seu estilo unidimensional pode causar problemas a qualquer adversário. Mas hoje não era decididamente um dia bom e os Pumas mereceram a vitória. Destaque para os dois grandes ensaios de Gonzalo Cordero, o jovem ponta que vêm lá em cima e que já tinha deixado excelente impressão contra a Nova Zelândia. Para já, é a revelação do torneio. Só improváveis desaires com Tonga e a Namíbia separam os Pumas dos quartos de final. A partir daí, o céu é o limite. Não me espantaria se repetissem o terceiro lugar de 2007.
Entretanto, o Japão, depois da vitória histórica sobre a África do Sul, caiu com algum estrondo aos pés da Escócia. Muito cansaço, talvez, porque os montanheiros ainda deixam muito a desejar. Mas não é impunemente que se vence os Springboks e a batalha de Domingo deixou marcas nos nipónicos. O África do Sul-Samoa, já amanhã, vai ser decisivo para definir o grupo.
Também amanhã, aí está um dramático Inglaterra-Gales em perspectiva, primeiro choque de titãs deste Mundial. Nem Ingleses nem Galeses convenceram nas vitórias respectivas sobre as Fiji e o Uruguai, apesar dos triunfos folgados. Com a Austrália aparentemente em melhor forma e moral graças ao triunfo no recente Quatro Nações, embora em terceiro lugar no grupo porque não teve o bónus ofensivo dos adversários directos, quem vencer este clássico fica às portas do apuramento. Os bifes, prevendo dificuldades, vão alinhar com os seus três-quartos de combate: Owen Farrell, Brad Barritt e Sam Burgess. Lesão de Jonathan Joseph, um centro de veludo, oblige. Não vai ser bonito de se ver, mas ninguém os pode acusar de falta de pragmatismo. Nunca. Twickenham até vai ferver.

Dia 4 explicado por Correia de Campos, Pacheco Pereira e Fernada Cancio:

1) Se o PàF ganhar:
O povo é estúpido
A campanha é uma mentira
Não há democracia

2) Se o PS ganhar:
O povo é inteligente
A verdade é como azeite
A democracia  venceu

Ou seja, categorias como a capacidade intelectual do povo,  o acto eleitoral e a democracia  dependem de 1%. 
Nada de novo debaixo do sol.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Un certain regard

Se o PàF vencer  dia 4, existirão dois  derrotados: um sistema e uma ideia.

1) O sistema mediático
Assente  na  produção universitária de inspiração marxista e pós-marxista (zizeckiana), cujos agentes, de forma esmagadora  concentrados em Lisboa,  e jovens,  reproduzem  a ideia da esquerda cultural. Este sistema foi o mesmo que ampliou  as invectivas de fascista  a Augusto Santos Silva e autoritária salazarenta a Maria de Lurdes Rodrigues  no consulado de Sócrates ( na educação) e de neoliberal a Correia de Campos. 
Será um sistema derrotado porque fez tudo o que podia para que o PàF não vencesse. Bravo.

2) O ódio à  pequena burguesia
Quem pagou estes anos foi essencialmente a classe média. A classe média foi sempre humilhada pela esquerda bem pensante: desde 1975 que é uma mole anlafabruta e ígnara. Do gozo com a maison do emigrante ( agora  têm muita pena deles) ao epíteto de mentalidade merceeira (entre dezenas de exemplos), este  ódio esteve sempre bem presente na matriz da esquerda bem pensante.
Pois bem, o merceeiro, a rapariguinha do shopping, o emigrante, é que foram apertados, mas fazem umas contas simples. Durante estes anos penaram enquanto  ouviram a esquerda bem pensante ( e algumas aves de arribação) apregoar o caos e a inutilidade do seu esforço. Não gostaram e não querem ser,  de novo, mulas de carga.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Previsão: uma esquerda esclerosada

Já sabemos que, mais ponto menos ponto, seja quem for que vença, as eleições de dia 4 representarão um incrível desperdício das esquerdas portuguesas  depois de quatro anos de austeridade. E há razões para isso.

1) A mistificação:

Previram a revolução e o caos, falharam. Era uma boa ideia. Por que falhou? 
 Falhou  porque quiseram pintar o ajustamento como letal para os mais fracos, mas quem o pagou  foi a classe média. Este sinceramente vosso conduz um Opel Astra, não passa fins de semana em Formentera e viu retido 40% do seu rendimento.  Durante estes anos habituei-me a ver doentes que ficaram desempregados com mais de dois anos de subsídio de desemprego. Estes não fariam a revolução. Os miúdos foram para fora sem grandes queixumes. Sobraram os velhos e os pensionistas: a verdade é que nem de perto nem de longe o aperto  deles se comparou ao da classe média. Eram pobres, continuaram pobres.

2) Um disco a  riscar desde 1975:
Em 2008:
Para a esquerda comunista e comunista-like, estamos em ataque à democracia desde 1975. Não admira que não cole, admira que não o percebam.

3) A jactância

Nem com quatro anos  de austeridade  a esquerda portuguesa abandonou o tecido feudal  e o arrivismo revista Caras. O tecido feudal é o do PCP, já vimos no ponto anterior: riscar o disco, segurar os clientes.
O arrivismo revista Caras foi estelífero durante a austeridade. Em vez de cerrar fileiras e os dentes, a esquerda de pastelaria desdobrou-se em plataformas, movimentos, frentes, alternativas. Todos são génios revolucionários no facebook, nos jornais, no twitter. Como é óbvio, sendo todos génios, os outros são todos limitados. O povo olhou para isto como se de uma açulada de podengos se tratasse.

4) o PS:

Estava no caminho para o poder quando um conjunto de intelectuais se abespinhou com os resultados das autárquicas e  europeias. A ideia era uma vassourada e Seguro só venceu. Danados com a realidade, instalaram Costa. O problema principal nem foi esse. O problema  principal foi colarem a Costa o desprezo de casta pelo esforço das pessoas. Assim, durante todos estes anos, rangeram os dentes a cada indicador positivo, a cada nova empresa ou linha de negócio. Alguns  apoios, como a ala socrática,  muitos media, Pacheco Pereira etc , foram impecáveis  no papel. A coligação agradeceu ficar sozinha a recolher louros que nem eram inteiramente seus.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Crónicas do Planeta Oval: começou o Mundial de rugby

Em Inglaterra, na sexta-feira passada. Com quatro dias de jogos, avancemos algumas observações. 
1. Os ingleses, a jogar em casa, estão confiantes de que vão repetir o triunfo de 2003 (único Mundial ganho pelo hesmisfério norte, recordo). Pela amostra do jogo de abertura com as Fiji, estão a sonhar um bocadinho alto. Os homens do Pacífico Sul nem jogaram muito, mas houve alturas (no fim da primeira parte, por exemplo) em que a sua mêlée demoliu a inglesa, para além de terem conseguido mais turnovers nos pontos de quebra do jogo aberto (tradução minha de breakdown).Tendo em conta que o jogo fechado é um dos tradicionais pontos fortes dos súbditos de Sua Majestade, o treinador Stuart Lancaster deve estar a little bit worried. Indeed. Se os fijianos tivessem um chutador de jeito e não oferecessem penalidades infantis (aquele pontapé na bola num ruck mesmo em frente aos postes...), o resultado não teria sido tão lisonjeiro para a equipa da rosa. Valeram as substituições  - mérito do Mister, reconheça-se. A troca dos pilares estabilizou a mêlée, Igglesworth esteve bem melhor do que Ben Youngs-dá-sempre-um-passo-a-mais-e-não-acerta-um-box-kick e Vunipola, ao contrário do enferrujado Ben Morgan, ganhou os metros preciosos que se pedem a um número 8. Chegará para vencer Gales e a Austrália, os seus principais adversários no "grupo da morte"? Não sei. Mas sei que, se a Inglaterra ficar pela fase de grupos, é um escândalo nacional.
2. Por falar em escândalo, a vitória do Japão sobre a África do Sul já valeu este Mundial. É mais memorável ainda do que a vitória de Tonga sobre a França em 2011. Primeiro, porque Tonga é melhor do que o Japão. Segundo, porque, no sábado, os Springboks nem estiveram mal - os orientais é que fizeram o jogo da vida deles. Não é qualquer equipa que leva quatro ensaios dos Boks e mesmo assim ganha. Os sul-africanos confirmaram o seu péssimo Quatro Nações de Agosto (último lugar e três derrotas, uma delas, first ever, com a Argentina), mas vão passar. Não tenho dúvidas e é bom que progridam na competição, para que os afrikaners não sejam todos atirados ao mar pela ala lunática do ANC. Os escoceses, próximo adversário do sol nascente, é que devem começar a fazer contas.
3. Ah, a Argentina, a Argentina... Grande jogo contra os hipersupermegafavoritos All Blacks, ontem. Determinados a defender, inteligentes a atacar, estiveram à frente do resultado até bem entrada a segunda parte. Em Twickenham, com a memória bem viva da proeza nipónica do dia anterior, pairou durante longos minutos um "e se?..." que valeu aos Pumas o impensável apoio do público inglês. Se tivessem ganho, acho que os bifes lhes ofereciam as Malvinas. Ou Gibraltar. Talvez mesmo a Escócia. Mas o banco neozelandês é de luxo. Bastou a Steve Hansen trocar Ma´a Nonu por Sonny Bill Williams, que entrou com a exclusiva missão de massacrar os centros e fixar a terceira linha dos alvicelestes, e a resistência acabou. Dois ensaios de negro nos últimos vinte minutos restauraram a ordem cósmica. Mas para quem diz que a Nova Zelândia vem jogar sem pressão porque a sua superioridade se impõe como o meridiano de Greenwich, veja-se que McCaw e Conrad Smith, dois dos mais experientes All Blacks de sempre, foram ontem amarelados por faltas nascidas do puro e simples nervosismo... Vão levar a taça, lá isso vão, mas não são kiwis contados.

A esquerda tem razões que a razão desconhece


Deixa cá ver se eu percebo.
Então o Tsipras ganha as eleições prometendo acabar com a austeridade, não só não acaba como pede novo resgate,vai outra vez a votos e volta a ganhar- e o resultado é uma grande vitória progressista?
Há qualquer coisa aqui que me escapa.