quinta-feira, 2 de abril de 2015

Quinta-Feira Santa

Paul Gauguin, Cristo no Jardim das Oliveiras, 1889
 
 
então sussurrou: um de vós me trairá, e então olharam
todos uns para os outros a ver onde haveria algum
sinal nefando, mas nenhum deles sentiu em si
mesmo qualquer anúncio de crime e culpa,
depois foram dali dar uma volta fora de muros e,
cansados de palavras e passeios, deitaram-se
debaixo de umas oliveiras, e adormeceram,
límpidos e vazios como os desertos derredor,
e toda esta história acabou bastante mal, como aliás
acabam todas as histórias de grupo:
e um deles disse que não, não senhores, ele cá não sabia
nada dessa cabal de mestre e discípulos, nem
participara em reuniões clandestinas, nem queria
derrubar o regime, etc. e tal, o costume,
e todos os outros, de uma ou outra maneira, lhe seguiram o exemplo
 
Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, 2014
 


O povo cobarde e amorfo não ouve o dr. Pacheco Pereira nem o dr. Soares ...

e depois  dá nisto:
Apesar da posição que ocupa no Governo, Maria Luís garante que nunca vai às compras acompanhada por um segurança até porque, revela, “as abordagens têm sido todas simpáticas”.

Cada vez melhor

Depois de na semana passada ter dito isto, o mefistofélico Ralha veio hoje dizer que das 300.000 consultas ( gerais) só 100 foram indevidas " e é discutível que o tenham sido".
O rato tem a companhia da peste.

E é um professor

Os marinheiros portugueses  ganzavam-se para  suportar a viagem ( Garcia da Orta ignorava isto), a maconha será um grande negócio se for liberalizada ( pois, só se for...) e  o mundo agora  é um prostíbulo ( a virtude foi enterrada em Woodstock).
Adaptando Kraus a este brasileiro: a itchy scalp is not a brain event.

Veganistas e cruzes

No Manual, no Depressão Colectiva.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

A lista (2)

Compreende-se que a lista de pedófilos gere incómodo, tanto à esquerda como à direita.
A esquerda, que andou meio século a pregar a revolução sexual, vê-se na contingência de reconhecer que, afinal, não é proibido proibir tudo. O facto de a pedofilia ser um "desvio" (palavra-tabu que logo evoca a moral judaico-cristã) compartilhado pela burguesia nem por isso a faz esquecer que a criminalização é um recuo estratégico. Há por aí muitos órfãos de Cohn-Bendit.
A direita também tem os seus fantasmas. A lista levanta questões de direitos e liberdades e a direita tem aquele velho hábito de lhes preferir a segurança ou a defesa da família (dizem eles). Ora, a direita quer-se agora liberal e outro dos seus velhos hábitos, a fraqueza de pensamento, vê-se exposto com dilemas que fogem à cartilha. O caso é demasiado sério para ir à Wikipedia, como fez o Governo. Daí o silêncio ou o embuste.

Da série "A concorrência faz melhor"

O Luís, sempre atento, explica aqui os actuais dilemas da política doméstica e, em particular, os do PS. É mesmo muito difícil que Costa perca as legislativas, mas a vitória não será a marcha triunfal augurada com a defenestração de Seguro. Erros seus (onde é que está o programa?), má fortuna (a recuperação económica), amor ardente (dos socialistas por Sócrates), tudo se conjuga para lhe fazer a vida difícil, mas bastava a Operação Marquês. Diga-se, em abono da verdade, que Costa também já percebeu isto. Por alguma razão deixou a Câmara de Lisboa, uma decisão certamente ponderada há algum tempo, um dia depois da sova na Madeira. É um sinal, para o partido e para o país, de que a campanha começa agora. Se ainda vai a tempo, já é outra história.

E eu que até gostava de o ler

Outro que já percebeu o que aí vem é o Rui Tavares. Os seus últimos artigos no Público, incluindo o de hoje (embora por portas e travessas...), têm um só tema: a necessidade de impedir um Bloco Central depois das legislativas. É evidente que está preocupado com a fatal viragem à direita do PS, em caso de coligação com o PSD, mas não é só isso. Preocupa-o tanto ou mais que Costa ganhe por poucos e que o Livre se torne irrelevante. Para quem apostou tudo numa coligação com os socialistas, legitimamente, não serão boas notícias. Para quem o lê, e se arrisca a apanhar com um Tavares monotemático, também não.  

A Leste algo de novo

Enquanto dedicamos a nossa atenção ao copiloto que despenhou um avião nos Alpes (pobre Lufthansa, que agora passou a má da fita...), há outras coisas a acontecer na Alemanha. O Tribunal Constitucional Federal, que funciona também como Supremo Tribunal, autorizou duas professoras da escola pública da Renânia-Westefalia a usar o hijab, desde que o normal funcionamento das aulas não esteja em causa. Já tinha legislado do mesmo modo em 2003, mas vários governos regionais, baseando-se na ambiguidade da lei, tinham proibido o hijab no espaço escolar. Agora, os juízes do TC deixaram claro que a autorização se estende a todo o território alemão. A sua argumentação baseia-se no direito à liberdade religiosa, o que me parece inteiramente razoável.
Num país em que o Pegida e o sentimento anti-islâmico estão a crescer, por razões óbvias, a polémica, no entanto, veio para ficar. E não ficará  por aí. A França, por exemplo, proíbe os símbolos religiosos no espaço público, mas não na universidade, uma excepção a que Sarkozy já prometeu pôr fim assim que voltar ao Governo. Para lá do jihadismo e do Charlie Hebdo, o Islão é cada vez mais um ingrediente da política europeia.

Nem mais

Nem menos.
A misteriosa  boa imprensa do irrevogável encarrega-se ajudar ao esquecimento.

Os médicis da Reboleira

  
1)Mestres  da propaganda são estes, pese o esforço semanal do colega da Quadratura em apontar o governo. No início era a tese Sampaio da acumulação de cargos e o currículo de ser presidente/gestor de uma grande cidade/empresa a embalar. Agora, com sondagens iguais às  de Seguro, mas sem ter ganho eleições nenhumas, e na ressaca madeirense ( são profissionais),  o florentino foge de Lisboa a sete pés e deixa-a ao pequeno Gastone.

2) Era preciso evitar que as palavras PS e  esmagado aparecessem juntas e os jornalistas/propagandistas amigos obedeceram. Assim, no dia a seguir  à eleições da Madeira  a manchete foi PSD pode perder maioria absoluta. Imaginem que tinha sido ao contrário, usem bastante  LSD e apostem que as manchetes eram "PS falha   maioria absoluta". Isto é giro, não é?