sexta-feira, 3 de abril de 2015
quinta-feira, 2 de abril de 2015
Quinta-Feira Santa
Paul Gauguin, Cristo no Jardim das Oliveiras, 1889
então sussurrou: um de vós me trairá, e então olharam
todos uns para os outros a ver onde haveria algum
sinal nefando, mas nenhum deles sentiu em si
mesmo qualquer anúncio de crime e culpa,
depois foram dali dar uma volta fora de muros e,
cansados de palavras e passeios, deitaram-se
debaixo de umas oliveiras, e adormeceram,
límpidos e vazios como os desertos derredor,
e toda esta história acabou bastante mal, como aliás
acabam todas as histórias de grupo:
e um deles disse que não, não senhores, ele cá não sabia
nada dessa cabal de mestre e discípulos, nem
participara em reuniões clandestinas, nem queria
derrubar o regime, etc. e tal, o costume,
e todos os outros, de uma ou outra maneira, lhe seguiram o exemplo
Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, 2014
Cada vez melhor
Depois de na semana passada ter dito isto, o mefistofélico Ralha veio hoje dizer que das 300.000 consultas ( gerais) só 100 foram indevidas " e é discutível que o tenham sido".
O rato tem a companhia da peste.
O rato tem a companhia da peste.
E é um professor
Os marinheiros portugueses ganzavam-se para suportar a viagem ( Garcia da Orta ignorava isto), a maconha será um grande negócio se for liberalizada ( pois, só se for...) e o mundo agora é um prostíbulo ( a virtude foi enterrada em Woodstock).
Adaptando Kraus a este brasileiro: a itchy scalp is not a brain event.
Adaptando Kraus a este brasileiro: a itchy scalp is not a brain event.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
A lista (2)
Compreende-se que a lista de pedófilos gere incómodo, tanto à esquerda como à direita.
A esquerda, que andou meio século a pregar a revolução sexual, vê-se na contingência de reconhecer que, afinal, não é proibido proibir tudo. O facto de a pedofilia ser um "desvio" (palavra-tabu que logo evoca a moral judaico-cristã) compartilhado pela burguesia nem por isso a faz esquecer que a criminalização é um recuo estratégico. Há por aí muitos órfãos de Cohn-Bendit.
A direita também tem os seus fantasmas. A lista levanta questões de direitos e liberdades e a direita tem aquele velho hábito de lhes preferir a segurança ou a defesa da família (dizem eles). Ora, a direita quer-se agora liberal e outro dos seus velhos hábitos, a fraqueza de pensamento, vê-se exposto com dilemas que fogem à cartilha. O caso é demasiado sério para ir à Wikipedia, como fez o Governo. Daí o silêncio ou o embuste.
Da série "A concorrência faz melhor"
O Luís, sempre atento, explica aqui os actuais dilemas da política doméstica e, em particular, os do PS. É mesmo muito difícil que Costa perca as legislativas, mas a vitória não será a marcha triunfal augurada com a defenestração de Seguro. Erros seus (onde é que está o programa?), má fortuna (a recuperação económica), amor ardente (dos socialistas por Sócrates), tudo se conjuga para lhe fazer a vida difícil, mas bastava a Operação Marquês. Diga-se, em abono da verdade, que Costa também já percebeu isto. Por alguma razão deixou a Câmara de Lisboa, uma decisão certamente ponderada há algum tempo, um dia depois da sova na Madeira. É um sinal, para o partido e para o país, de que a campanha começa agora. Se ainda vai a tempo, já é outra história.
E eu que até gostava de o ler
Outro que já percebeu o que aí vem é o Rui Tavares. Os seus últimos artigos no Público, incluindo o de hoje (embora por portas e travessas...), têm um só tema: a necessidade de impedir um Bloco Central depois das legislativas. É evidente que está preocupado com a fatal viragem à direita do PS, em caso de coligação com o PSD, mas não é só isso. Preocupa-o tanto ou mais que Costa ganhe por poucos e que o Livre se torne irrelevante. Para quem apostou tudo numa coligação com os socialistas, legitimamente, não serão boas notícias. Para quem o lê, e se arrisca a apanhar com um Tavares monotemático, também não.
A Leste algo de novo
Enquanto dedicamos a nossa atenção ao copiloto que despenhou um avião nos Alpes (pobre Lufthansa, que agora passou a má da fita...), há outras coisas a acontecer na Alemanha. O Tribunal Constitucional Federal, que funciona também como Supremo Tribunal, autorizou duas professoras da escola pública da Renânia-Westefalia a usar o hijab, desde que o normal funcionamento das aulas não esteja em causa. Já tinha legislado do mesmo modo em 2003, mas vários governos regionais, baseando-se na ambiguidade da lei, tinham proibido o hijab no espaço escolar. Agora, os juízes do TC deixaram claro que a autorização se estende a todo o território alemão. A sua argumentação baseia-se no direito à liberdade religiosa, o que me parece inteiramente razoável.
Num país em que o Pegida e o sentimento anti-islâmico estão a crescer, por razões óbvias, a polémica, no entanto, veio para ficar. E não ficará por aí. A França, por exemplo, proíbe os símbolos religiosos no espaço público, mas não na universidade, uma excepção a que Sarkozy já prometeu pôr fim assim que voltar ao Governo. Para lá do jihadismo e do Charlie Hebdo, o Islão é cada vez mais um ingrediente da política europeia.
Os médicis da Reboleira
1)Mestres da propaganda são estes, pese o esforço semanal do colega da Quadratura em apontar o governo. No início era a tese Sampaio da acumulação de cargos e o currículo de ser presidente/gestor de uma grande cidade/empresa a embalar. Agora, com sondagens iguais às de Seguro, mas sem ter ganho eleições nenhumas, e na ressaca madeirense ( são profissionais), o florentino foge de Lisboa a sete pés e deixa-a ao pequeno Gastone.
2) Era preciso evitar que as palavras PS e esmagado aparecessem juntas e os jornalistas/propagandistas amigos obedeceram. Assim, no dia a seguir à eleições da Madeira a manchete foi PSD pode perder maioria absoluta. Imaginem que tinha sido ao contrário, usem bastante LSD e apostem que as manchetes eram "PS falha maioria absoluta". Isto é giro, não é?
2) Era preciso evitar que as palavras PS e esmagado aparecessem juntas e os jornalistas/propagandistas amigos obedeceram. Assim, no dia a seguir à eleições da Madeira a manchete foi PSD pode perder maioria absoluta. Imaginem que tinha sido ao contrário, usem bastante LSD e apostem que as manchetes eram "PS falha maioria absoluta". Isto é giro, não é?
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