quarta-feira, 1 de abril de 2015

Da série "A concorrência faz melhor"

O Luís, sempre atento, explica aqui os actuais dilemas da política doméstica e, em particular, os do PS. É mesmo muito difícil que Costa perca as legislativas, mas a vitória não será a marcha triunfal augurada com a defenestração de Seguro. Erros seus (onde é que está o programa?), má fortuna (a recuperação económica), amor ardente (dos socialistas por Sócrates), tudo se conjuga para lhe fazer a vida difícil, mas bastava a Operação Marquês. Diga-se, em abono da verdade, que Costa também já percebeu isto. Por alguma razão deixou a Câmara de Lisboa, uma decisão certamente ponderada há algum tempo, um dia depois da sova na Madeira. É um sinal, para o partido e para o país, de que a campanha começa agora. Se ainda vai a tempo, já é outra história.

E eu que até gostava de o ler

Outro que já percebeu o que aí vem é o Rui Tavares. Os seus últimos artigos no Público, incluindo o de hoje (embora por portas e travessas...), têm um só tema: a necessidade de impedir um Bloco Central depois das legislativas. É evidente que está preocupado com a fatal viragem à direita do PS, em caso de coligação com o PSD, mas não é só isso. Preocupa-o tanto ou mais que Costa ganhe por poucos e que o Livre se torne irrelevante. Para quem apostou tudo numa coligação com os socialistas, legitimamente, não serão boas notícias. Para quem o lê, e se arrisca a apanhar com um Tavares monotemático, também não.  

A Leste algo de novo

Enquanto dedicamos a nossa atenção ao copiloto que despenhou um avião nos Alpes (pobre Lufthansa, que agora passou a má da fita...), há outras coisas a acontecer na Alemanha. O Tribunal Constitucional Federal, que funciona também como Supremo Tribunal, autorizou duas professoras da escola pública da Renânia-Westefalia a usar o hijab, desde que o normal funcionamento das aulas não esteja em causa. Já tinha legislado do mesmo modo em 2003, mas vários governos regionais, baseando-se na ambiguidade da lei, tinham proibido o hijab no espaço escolar. Agora, os juízes do TC deixaram claro que a autorização se estende a todo o território alemão. A sua argumentação baseia-se no direito à liberdade religiosa, o que me parece inteiramente razoável.
Num país em que o Pegida e o sentimento anti-islâmico estão a crescer, por razões óbvias, a polémica, no entanto, veio para ficar. E não ficará  por aí. A França, por exemplo, proíbe os símbolos religiosos no espaço público, mas não na universidade, uma excepção a que Sarkozy já prometeu pôr fim assim que voltar ao Governo. Para lá do jihadismo e do Charlie Hebdo, o Islão é cada vez mais um ingrediente da política europeia.

Nem mais

Nem menos.
A misteriosa  boa imprensa do irrevogável encarrega-se ajudar ao esquecimento.

Os médicis da Reboleira

  
1)Mestres  da propaganda são estes, pese o esforço semanal do colega da Quadratura em apontar o governo. No início era a tese Sampaio da acumulação de cargos e o currículo de ser presidente/gestor de uma grande cidade/empresa a embalar. Agora, com sondagens iguais às  de Seguro, mas sem ter ganho eleições nenhumas, e na ressaca madeirense ( são profissionais),  o florentino foge de Lisboa a sete pés e deixa-a ao pequeno Gastone.

2) Era preciso evitar que as palavras PS esmagado aparecessem juntas e os jornalistas/propagandistas amigos obedeceram. Assim, no dia a seguir  à eleições da Madeira  a manchete foi PSD pode perder maioria absoluta. Imaginem que tinha sido ao contrário, usem bastante  LSD e apostem que as manchetes eram "PS falha   maioria absoluta". Isto é giro, não é?

terça-feira, 31 de março de 2015

Como parece que há dificuldade ( ou má vontade ) em encontrar:

Aqui fica o modelo inglês:
" The child sex offender disclosure scheme allows parents, carers and guardians to formally ask the police to tell them if someone has a record for child sexual offences".
O projecto português é igual, não há cá listas afixadas nos candeeiros  para a populaça, mas isto estão fartinhos de saber os mestres em agit prop.

Prémio psicóloga idiota

Tragic”, says psychologist Anna Henley, “for individuals to take their own life’s for a reason like that, just shows how much power these artists and celebrities have over people, and it’s not a good thing.

Para a já notícia é falsa ( exagerada), depois, não são os artistas e celebridades que têm poder a mais sobre as pessoas, são as pessoas que não têm nada pelo qual lutar.
O instinto de morte faz o resto.

Os civilizados, os probos, os cautelosos e o céptico

 Bebés e crianças. Nunca leio nada sobre estes bebés e crianças ( malaios? etíopes? belgas?), não vejo reportagens  daquelas que são premiadas sobre  quem são, ou foram, onde estão, como é a vida delas  agora etc. Leio e ouço, sim, e muitas vezes,  um sublinhado: muitos pedófilos destes nunca molestaram uma criança. Pois não.
Nunca é demais recordar que este erro, cometido pela impecável e sacrossanta  APA,  demorou seis meses ( de maio a outubro) a ser  corrigido. É natural, as crianças não têm lóbis nem colunas nos jornais. Agora imaginem que o erro tinha consistido em recolocar a homossexualidade como uma doença. Pois.
 É fresco este verniz civilizacional, é agradável este aroma a cultura, é reconfortante este humanismo.

2) Com que então a direcção geral dos serviços prisonais tem dados sobre a reincidência de pedófilos? Muito bem. Expliquem-me  então como fizeram  para saber se este indivíduo (ou  muitos outros  que apenas cumpriram pena suspensa),  que nunca pôs um pé  num estabelecimento prisional, reincidiu ou deixou de reincidir?
Desculpem, esqueci-me que neste assunto os mentirosos  estão só de um lado.

Por aqui não se acredita  muito na reabilitação, ao contrário da Igreja Católica.

4) Uma ministra desmazelada no trabalho que apresenta e assessorada por incompetentes contumazes. Em Inglaterra existe um modelo  muito semelhante ao que seria suposto aplicar  cá, com cautelas, ponderação  e  vigilância, mas os ingleses são, como se sabe,  uns bárbaros.
Tudo vai continuar na mesma, talvez com  uma campanhazita na TV ( como no caso das cacetadas às mulheres).

Esta dava um hino melhor

Moi aussi je suis Charlie

Et je veux du monney.

segunda-feira, 30 de março de 2015

A lista



Quando o Governo, em comunicado, corrige os dados da própria Ministra da Justiça sobre pedófilos reincidentes e divaga sobre a definição dos ditos, só se pode concluir o seguinte - a famosa lista nasceu torta e tarde ou nunca irá endireitar-se. A coisa é dolorosamente mais simples. Trata-se de equilibrar dois direitos: o direito à segurança das potenciais vítimas e o direito à privacidade dos criminosos. Sim, os criminosos também têm direito à privacidade, incluindo o direito de recomeçar a vida.
É claro que tudo se torna mais complicado quanto a este "recomeço". Mudar comportamentos compulsivos é difícil, e mais ainda comportamentos sexuais, o que não significa que seja impossível. É uma das razões pelas quais um padre pedófilo deve ser afastado do contacto com crianças, sem apelo a uma falsa "misericórdia" que acaba por ser cúmplice do crime. A Igreja fez bem em emendar pecados recentes e o Estado, por uma vez, devia aprender com a (má) experiência alheia.
Dito isto, sou sensível ao risco da divulgação de uma lista de pedófilos, em concreto pela possibilidade de incitamento à justiça popular.  Não tenho uma solução para o tal conflito de direitos, mas uma coisa é certa. A meio ano das eleições, o timing escolhido para discuti-lo não foi muito feliz. Se o Governo pensa que assim ganha votos, talvez tenha uma surpresa. Questões de tal melindre primeiro estudam-se e depois é que se lançam à arena da opinião. Se Paula Teixeira da Cruz nem sequer fez o trabalho de casa, estará mesmo interessada num debate sério?

Divórcios e Pilatos

No Manual, no Depressão Colectiva.