quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Não é o burkini, é o que está debaixo.

"Today, approximately 608,000 Muslims in Germany are German citizens. The number of Muslims taking up German citizenship is decreasing despite the creation of German citizenship laws that are characterized by aspects of a ius soli (territory based law), moving beyond the traditional ius sanguinis (derivation-based law) in 2000. Now children can be born as German citizens, even if their parents do not have German citizenship. 43)"



Apesar de todo artigo afinar pela cantilena da discriminação , ao trecho citado foge-lhe  a boca para  a verdade. Se falarmos de mulheres cidadãs europeias  ( alemãs ou belgas, tanto faz),  tanto faz se são muçulmanas ou católicas: a parafernália de conquistas   de direitos aplica-se-lhes de igual forma.


Só um idiota ou uma sonsa remetem para  a opção individual o dress code islâmico. Se bem me lembro, o direito à mini-saia , na história do movimento feminista, extravasou em muito a simples questão textil: it exploded onto the 1960s scene as a symbol of liberation and rebellion for young women the world over
É fabuloso constatar que na primeira linha da defesa da ponta de lança da opressão islâmica  da liberdade feminina esteja boa parte  da esquerda  libertária herdeira do women's lib.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sexta-feira Santa

Crucifixo mexicano, séc. XIX.

CHRIST, SLASHED WITH AN AXE (IN A MEXICAN CHURCH)

Christ, slashed with an axe, in the humped church-
How shall we pray to you all pied with blood,
Yet deader by far than the hacked wood?
But pray we must since prayer is all our search
Who come in anger only to beseech.
Here kneel two creatures who believe in good,
Here stood two lovers, they believed in God,
And thee, too, though maimed at life´s touch
As by the doleful art of these dull men.
-Oh, ravaged by man but murdered in mankind,
Of peace a prater, yet of fire and shot
Vicarious exculpator to seventy times seven;
Image, we wish thee ill; yet alive in mind
That mind itself may live, and compassion forsake us not.

Malcolm Lowry

quinta-feira, 10 de março de 2016

sexta-feira, 4 de março de 2016

Ausência total de bom senso

Sobre a ida de Maria Luís Albuquerque para a Arrow, Manuela Ferreira Leite já disse tudo: "ausência total de bom senso". E a direita passa pela vergonha de ser o Bloco a falar (novamente...) de um período de nojo entre o abandono de funções governativas e a contratação por uma empresa privada do sector. Parece simples, mas em Portugal nada é simples. Não protestem a inocência da senhora, camaradas: quando o PS deixar o poder, verão que faz sentido.

Uma semana interessante

Terapia ( 17) no Depressão Colectiva.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Centro Comercial de Belém

A substituição de António Lamas por um boy de avental no CCB foi talvez mais do que uma das prepotências com que o PS costuma entregar-se à gestão da coisa pública. Antes fosse. O problema é maior, parece-me. 
O mandato de Lamas, em circunstâncias normais, terminaria em Dezembro de 2017. Ora, segundo o protocolo que há dez anos o então Primeiro-Ministro José Sócrates assinou com Joe Berardo para instalar a famosa colecção do comendador no CCB, o Estado português está obrigado a exercer o direito de preferência sobre a dita colecção até ao fim de 2016, ou Berardo pega nos oitocentos e tal quadros e esculturas e leva-os sabe-se lá para onde. Em circunstâncias normais, como aquelas que deveriam rodear o fim do mandato de Lamas, o Governo e Berardo começariam, pois, a negociar o futuro da colecção em meados do corrente ano. Ou seja, daqui a três meses.
Mas João Soares é um espírito livre e não gosta de circunstâncias normais. Primeiro, mal chegou à Ajuda, anunciou que a prioridade da sua política (chamemos-lhe assim) seria impedir a saída da colecção Berardo para o estrangeiro, uma das ameaças recorrentes do comendador. Por outras palavras, comunicou-lhe publicamente que podia pedir o preço que quisesse porque o Governo, se ameaçado, estaria sempre disposto a pagar. Brilhante. Depois, demitiu a pessoa que tem acompanhado o processo nos últimos anos, com expressas reservas quanto ao seu desfecho, a poucas semanas do início  formal das negociações. Mais brilhante ainda.
Recordo que a última avaliação conhecida da colecção, feita pela Christie´s exactamente em 2006, apontava para um valor total de 316 milhões de euros. Duas vezes mais do que o orçamento anual do Ministério da Cultura. Dez vezes mais do que os 80 Mirós do BPN. Cem vezes mais do que o Crivelli de Paes do Amaral. Para os quais nunca houve dinheiro. Tendo em conta o génio negocial de João Soares, é provável que Berardo venha a pedir ainda mais quando as negociações começarem. E é também provável que António Lamas fosse um obstáculo a este tipo de lei do mercado à socialista, como seria qualquer não-boy-do-avental. 
Talvez agora se perceba a pressa em demitir Lamas. Só não se percebe se o PS deve mesmo tantos favores a Berardo ou se Berardo é mesmo o preço a pagar pela política cultural (chamemos-lhe assim) do PS.   

quarta-feira, 2 de março de 2016

"Interoperabilidade da propaganda"

Lembram-se do  empreendorismo do Miguel gozado pelos pedantes?
Agora vejam isto,  sobretudo a apresentadora secundária, até inventaram as salas de espera.
Onde estão os pedantes? Não sei, mas caladinhos estão de certeza.

terça-feira, 1 de março de 2016

A coltura



O ministro da  cultura trata o director da mais importante sala cultural do país como dantes se tratava as mulheres a dias. Ultimatos, mão na anca, tudo no lavadouro. Quer lá pôr um seu adjunto e ex-governante socialista, o que é normal, mas entendeu poder fazer as coisas assim. À patrão.
Helena Roseta, Pacheco Pereira, Adão e Silva, A. José Teixeira , entre outros, grávidos de empáfia, passaram os últimos quatro anos em trezenas pela decadência: da cultura, da arte, do respeito pelas instituições, do cosmopolitismo. Relvas era o epítome  do homem do gangue de Passos, um lapardão  analfabeto e abrutalhado, formado nas negociatas políticas e na carne assada,  que sugava o Estado  e fechava os bons costumes num lupanar.
Diante do espectáculo da mulher peluda, oferecido pelo Soares, onde estão agora esses publicanos que tanto se enojaram com os Relvas desta  vida? Sobrepujantes de silêncio, na mesma lógica de assalto ao pote que Relvas perfilhava. E   sem urticária.  Nada de estranho, politicamente são iguais a ele.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Pacheco Pereira e Cunhal, o quarto volume


Li-o todo, de uma ponta à outra, como li os anteriores. O facto de ter conhecido tanto Cunhal ( graças aos bons ofícios do meu primo Jorge Gouveia Monteiro)  como o  biógrafo são detalhes, mas detalhes especiais.
Para quem tem a mania das biografias políticas ( das outras nem tanto),  não se pode ler  de outra maneira. Ainda por cima, o rigor  e o detalhe, a que JPP acopla um português de lei,  brilham sob  uma condição vital: o autor  de uma biografia política tem de ser um autor. Ou seja, não pode apenas relatar  factos ( nem tudo o que parece um facto  político o  é ) e comparar fontes.
Este volume mostra como Cunhal, corajoso moral e fisicamente, foi medroso no plano político. Por ele, as condições objectivas  ainda estariam por reunir  nos  anos 80. Tinha   um pavor enorme de desencadear ou de  ficar ligado a uma revolta falhada. Também é verdade que tinha o país em mais  consideração do que o esquerdismo, mas tinha a sua aura num patamar ainda mais elevado.
O capítulo sobre  Argel é delicioso  e mostra  o ADN do esquerdismo  luso. Só factores de peso, como a vitória eleitoral  do PàF depois de anos  de troika, conseguem milagres de união sobre a empáfia alucinada.
Como JPP tem mudado, tenta desculpar o seguidismo soviético de Cunhal , sobretudo depois de Praga, com explicações circunstanciais. É pena, porque faz dos leitores miúdos  desatentos e disléxicos.